Campo Grande (MS), Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2026

Internacional / Geopolítica

Trump ameaça ampliar presença naval no Oriente Médio e pressiona Irã por acordo nuclear

Presidente dos EUA admite envio de segundo porta-aviões e não descarta ação militar caso negociações fracassem

10/02/2026

20:00

DA REDAÇÃO

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 10 de fevereiro, que avalia enviar um segundo grupo de porta-aviões ao Oriente Médio, ampliando a presença militar norte-americana na região em meio às tensões com o Irã. A declaração foi feita em entrevista ao Canal 12 de Israel e ao site norte-americano Axios.

Segundo Trump, o reforço naval integra a estratégia de pressão sobre Teerã enquanto avançam tentativas de retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano. “Ou chegamos a um acordo, ou teremos de fazer algo muito duro”, afirmou o presidente, sinalizando disposição para eventual ação militar.

Presença militar ampliada

Atualmente, os Estados Unidos mantêm na região o grupo de ataque centrado no porta-aviões USS Abraham Lincoln, operando no Mar da Arábia. A embarcação realiza exercícios há quase duas semanas, e um de seus caças F-35 já interceptou e abateu um drone iraniano que se aproximava do navio.

Além disso, o USS George H. W. Bush, que estava na costa leste americana, foi deslocado para o Atlântico e permanece em posição estratégica para eventual envio ao Mediterrâneo Oriental. Outra possibilidade envolve o USS George Washington, atualmente no Pacífico, que também poderia ser mobilizado. Ambos estariam a aproximadamente uma semana de posição de ataque contra o território iraniano.

Impasse nuclear

A escalada ocorre no contexto das divergências sobre o programa nuclear iraniano. Em 2015, Estados Unidos, Irã e outras potências firmaram acordo que limitava o enriquecimento de urânio por Teerã em troca de alívio de sanções econômicas. Em 2018, Trump retirou os EUA do pacto, alegando falta de transparência por parte do governo iraniano.

Desde então, o Irã acumulou cerca de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, patamar próximo ao necessário para fins militares. Embora ainda abaixo do nível exigido para armamento nuclear plenamente funcional, o estoque é considerado suficiente para produzir material com alto potencial destrutivo.

Em 2025, após um conflito aéreo de 12 dias entre Israel e Irã, os Estados Unidos realizaram bombardeios contra instalações nucleares iranianas, o que resultou em cessar-fogo temporário.

Na última semana, negociações indiretas tiveram início em Omã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que houve entendimento para dar continuidade ao processo diplomático, embora ainda não haja data confirmada para nova rodada.

O presidente norte-americano defende o encerramento completo do programa nuclear iraniano, posição rejeitada pelo líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Autoridades iranianas indicaram possibilidade de diluição do estoque atual de urânio como alternativa. A Rússia sugeriu que o material seja transferido para seu território.

Pressão regional e impacto econômico

Nesta quarta-feira, 11 de fevereiro, Trump receberá em Washington o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, que busca ampliar o escopo das negociações para incluir também o programa iraniano de mísseis balísticos. O governo israelense já indicou que poderá agir unilateralmente caso considere insuficientes os avanços diplomáticos.

A tensão geopolítica já repercute no mercado internacional. O preço do barril do petróleo tipo Brent subiu de cerca de US$ 60 para quase US$ 70 nos últimos dias, refletindo o risco de instabilidade em rotas estratégicas de exportação no Oriente Médio.

Enquanto as negociações seguem indefinidas, o cenário permanece marcado por declarações firmes, movimentações militares estratégicas e pressão diplomática crescente entre Washington, Teerã e seus aliados regionais.


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