Mundo / Segurança
Trump troca novo Air Force One por avião antigo após ampliar ataques ao Irã
Presidente deixou a Turquia no modelo tradicional e só retomou o jato dado pelo Qatar no Reino Unido; mudança levantou dúvidas sobre segurança
08/07/2026
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a Turquia nesta quarta-feira, 8 de julho, a bordo do antigo Air Force One, horas depois de anunciar uma nova ofensiva militar contra o Irã. O Boeing 747 reformado e doado pelo Qatar, usado na viagem de ida, foi deslocado separadamente para uma base britânica.
A troca ocorreu durante o retorno da cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte, Otan, realizada em Ancara. Trump voou no avião presidencial tradicional até a base aérea de RAF Mildenhall, no Reino Unido, onde voltou a embarcar no novo jato para seguir até Washington.
A mudança inesperada provocou questionamentos sobre a segurança da aeronave recebida do Qatar. O episódio coincidiu com a retomada dos ataques norte-americanos contra alvos iranianos e com o aumento das ameaças de retaliação feitas por Teerã.
Questionado por jornalistas, Trump não confirmou que a substituição estivesse relacionada ao risco de ataques. O presidente disse que o novo avião havia sido levado ao Reino Unido para ser apresentado a militares norte-americanos e classificou a aeronave como “magnífica”.
Trump também afirmou ser um dos principais alvos do regime iraniano, mas evitou responder diretamente se a proximidade da Turquia com o território do Irã influenciou a decisão. A Casa Branca não divulgou detalhes operacionais sobre os protocolos de segurança adotados durante o deslocamento.
O Boeing 747-8 foi entregue pelo Qatar aos Estados Unidos e passou por adaptações realizadas pela empresa L3Harris Technologies. O avião começou a ser utilizado como solução provisória diante do atraso na entrega dos novos modelos encomendados à Boeing.
A aeronave ficou conhecida como Air Force One Bridge, expressão que indica seu caráter temporário. Ela deverá permanecer em operação até a conclusão dos dois aviões presidenciais definitivos, atualmente prevista para os próximos anos.
Embora autoridades norte-americanas afirmem que o jato atende aos padrões necessários para transportar o presidente, especialistas e parlamentares levantaram dúvidas sobre o nível das modificações realizadas em prazo reduzido.
Os aviões presidenciais tradicionais contam com sistemas avançados de comunicação, proteção eletrônica e defesa contra ameaças aéreas. Não foram divulgadas oficialmente todas as capacidades instaladas no modelo recebido do Qatar, o que alimentou especulações sobre eventuais limitações em áreas de conflito.
A aceitação da aeronave pelo governo norte-americano provocou críticas políticas e jurídicas. O avião tem valor estimado em cerca de US$ 400 milhões, sem considerar os gastos com reforma, instalação de equipamentos e adequações militares.
Após questionamentos sobre a possibilidade de o presente beneficiar pessoalmente Trump, o jato foi formalmente incorporado à Força Aérea dos Estados Unidos. O custo da adaptação também passou a ser alvo de debate no Congresso, com estimativas superiores a US$ 1 bilhão apresentadas por parlamentares de oposição.
Trump havia encomendado, em seu primeiro mandato, dois novos Boeing 747-8 para substituir a atual frota presidencial. O contrato sofreu atrasos e aumento de custos, e a entrega definitiva está prevista apenas para perto do encerramento do atual mandato.
A troca de aeronave ocorreu no mesmo dia em que Trump anunciou a possibilidade de novos ataques contra o Irã, após o rompimento de uma trégua temporária. Os Estados Unidos acusaram Teerã de atacar navios e ameaçar instalações norte-americanas na região do Estreito de Ormuz.
O governo iraniano, por sua vez, prometeu responder às ofensivas. O agravamento da crise elevou a tensão no Oriente Médio, afetou rotas marítimas e provocou preocupação com o preço internacional do petróleo.
Apesar das suspeitas, não há confirmação oficial de que o novo avião tenha sido retirado do trecho entre Turquia e Reino Unido por falta de sistemas de defesa. A explicação pública de Trump foi de que a escala permitiria mostrar a aeronave aos militares antes de seu retorno aos Estados Unidos.
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