Campo Grande (MS), Quarta-feira, 08 de Julho de 2026

Política / Partidos

“Mulher arruma enguiço com 20”, diz Valdemar ao extinguir comando do PL Mulher

Presidente do partido tentou justificar a decisão tomada após a saída de Michelle Bolsonaro e manterá apenas as direções estaduais do núcleo feminino

08/07/2026

18:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira, 8 de julho, que decidiu extinguir a presidência nacional do PL Mulher após a saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro do cargo. Ao justificar a mudança, o dirigente fez uma declaração generalizante e depreciativa sobre mulheres, dizendo que a nomeação de outra presidente poderia provocar conflitos internos.

Valdemar afirmou que nenhuma integrante estaria, neste momento, à altura de Michelle para assumir a função. Segundo ele, o partido manterá somente as presidências estaduais do núcleo feminino, que passarão a responder diretamente ao comando nacional da legenda.

“Você já imaginou se a gente coloca uma? Você sabe mulher como é que é, né? Arruma enguiço com 20”, declarou o presidente do PL após participar de um almoço promovido por frentes parlamentares ligadas à tecnologia, ao empreendedorismo, ao combate à pirataria e à competitividade.

A fala repercutiu por ocorrer em meio a uma crise interna envolvendo Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do partido à Presidência da República. A ex-primeira-dama deixou o comando do PL Mulher na semana passada, depois de relatar desentendimentos com o enteado e ataques recebidos nas redes sociais.

Michelle também demonstrou desânimo em relação a uma eventual candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. O afastamento ampliou as dúvidas sobre o papel político que ela pretende exercer nas eleições de 2026.

Outro ponto da crise envolve a vereadora de Fortaleza Priscila Costa, que ocupava a vice-presidência nacional do PL Mulher. Michelle defendia o nome dela para disputar o Senado pelo Ceará, enquanto a direção partidária avalia apoiar Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes, presidente estadual do PL.

Com a extinção do cargo nacional, Valdemar informou que as dirigentes estaduais continuarão atuando com autonomia, mas subordinadas diretamente à presidência do partido. A mudança concentra no comando nacional decisões que antes passavam por uma estrutura específica de representação feminina.

A reorganização ocorre às vésperas das convenções partidárias e pode influenciar a mobilização de eleitoras, a escolha de candidaturas femininas e a participação do PL Mulher na campanha eleitoral. A declaração de Valdemar também tende a aumentar a pressão sobre a legenda para explicar como pretende manter a representação das mulheres dentro do partido.


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