Saúde / Trabalho
Sobrecarga afasta mais de 300 profissionais da Santa Casa de Campo Grande
Sindicato aponta falta de pessoal, jornadas dobradas e desgaste das equipes; paralisação desta quarta-feira atingiu parte dos serviços
08/07/2026
09:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Santa Casa de Campo Grande enfrenta um cenário de forte pressão sobre as equipes, com mais de 300 trabalhadores afastados por problemas relacionados à sobrecarga de trabalho. Nesta quarta-feira, 8 de julho, funcionários realizaram uma paralisação em protesto contra o atraso no pagamento dos salários.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul, Siems, Lázaro Santana, a superlotação frequente do hospital e a redução do quadro de funcionários agravaram o desgaste entre os profissionais.
O sindicalista afirmou que parte dos trabalhadores pediu demissão e que outros já manifestaram intenção de buscar a rescisão indireta do contrato. O sindicato informou que comunicou a situação à direção da Santa Casa, ao Conselho Regional de Enfermagem e aos demais órgãos responsáveis.
Profissionais ouvidos durante a mobilização relataram que as equipes precisam dobrar turnos para manter o atendimento. Em alguns setores, a saída sucessiva de funcionários aumentou a carga sobre quem permanece no hospital.
Uma trabalhadora informou que decidiu deixar a instituição após meses de cansaço. Segundo ela, o setor onde atuava já perdeu cerca de dez profissionais por motivos semelhantes, o que obrigou os servidores restantes a assumir escalas adicionais.
A paralisação desta quarta-feira afetou aproximadamente 10% dos serviços, conforme as informações divulgadas pelos representantes dos trabalhadores. Os funcionários afirmam que os atrasos salariais ocorrem desde janeiro e que a incerteza sobre os pagamentos aumentou a insatisfação interna.
De acordo com Lázaro Santana, a direção da Santa Casa costuma atribuir as dificuldades ao déficit financeiro e à insuficiência dos repasses públicos. O sindicalista critica a falta de uma solução definitiva entre hospital, Prefeitura, Governo do Estado e União.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde, Sesau, informou que os pagamentos de responsabilidade do Município e do Estado já foram realizados. A pasta afirmou que aguarda a transferência de recursos federais para encaminhar os valores restantes ao hospital.
A falta de profissionais e o aumento dos afastamentos podem comprometer o funcionamento de setores essenciais, elevar o tempo de espera e ampliar a pressão sobre as equipes. Trabalhadores e sindicato cobram a regularização dos salários, novas contratações e medidas para reduzir a sobrecarga dentro da unidade.
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