Campo Grande (MS), Quarta-feira, 08 de Julho de 2026

Polícia / Justiça

Justiça decreta prisão preventiva de Neno Razuk na Operação Successione

Ex-deputado foi procurado pelo Gaeco e não teria sido localizado; defesa afirma que ainda não teve acesso à decisão judicial

08/07/2026

10:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A Justiça de Mato Grosso do Sul decretou a prisão preventiva do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, no processo relacionado à Operação Successione, que investiga uma organização suspeita de explorar o jogo do bicho e disputar o controle da atividade ilegal no Estado. A decisão tramita sob sigilo. 

Equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, Gaeco, teriam ido à residência do ex-parlamentar na terça-feira, 7 de julho, mas ele não foi localizado. O advogado Roberto Razuk Neto confirmou a presença dos agentes no endereço, porém declarou que a defesa ainda não conhece o conteúdo do mandado e aguardará acesso à decisão antes de se manifestar.

Neno perdeu o mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul em 21 de maio, após uma recontagem de votos determinada pela Justiça Eleitoral. Com a saída do cargo, deixou de possuir as prerrogativas vinculadas ao exercício do mandato, entre elas o julgamento por tribunal em processos relacionados à função parlamentar.

O ex-deputado já foi condenado em primeira instância a 15 anos, sete meses e 15 dias de reclusão, além de pena de detenção e multa. A sentença atribuiu a ele os crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração de jogos de azar. A defesa recorreu da decisão, e Neno respondia em liberdade.

Investigação alcançou familiares e antigos auxiliares

Neno também figura entre os réus da quarta fase da Operação Successione, deflagrada em 25 de novembro de 2025. Na ocasião, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul e em outros estados. 

Entre os presos estavam o pai do ex-deputado, Roberto Razuk, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. O Ministério Público aponta os integrantes da família como parte do núcleo central do grupo investigado. As acusações ainda dependem da análise definitiva da Justiça nos processos em andamento.

A operação apura suspeitas de organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, roubos, violação de sigilo funcional e exploração ilegal de jogos. Segundo a investigação, o grupo teria avançado sobre pontos de apostas em Campo Grande após a desarticulação de outra organização pela Operação Omertà. 

Máquinas, armas e dinheiro foram apreendidos

Ao longo das diferentes fases da Successione, as autoridades recolheram centenas de máquinas de apostas, armas, munições, dinheiro em espécie e documentos financeiros. O material é usado pelo Gaeco para apurar a movimentação dos recursos e a possível aquisição de patrimônio em nome de terceiros.

A acusação sustenta ainda que integrantes do grupo teriam utilizado violência e agentes armados para intimidar rivais, retirar equipamentos de circulação e ampliar o controle sobre pontos do jogo do bicho. Neno sempre negou envolvimento com a organização criminosa.

Com a decretação da prisão preventiva, as forças de segurança passam a procurar o ex-parlamentar para o cumprimento da ordem. Por estar sob sigilo, ainda não foram divulgados os fundamentos usados pela Justiça nem eventual prazo para apresentação voluntária da defesa.


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