Campo Grande (MS), Terça-feira, 23 de Junho de 2026

Política / Luto

Morre Marcelo Miranda, ex-governador de MS e ex-prefeito de Campo Grande

Engenheiro comandou o Estado em dois períodos, foi senador e teve trajetória ligada à infraestrutura de Mato Grosso do Sul

23/06/2026

12:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Morreu no fim da manhã desta terça-feira, 23 de junho, em Campo Grande, o ex-governador de Mato Grosso do Sul e ex-prefeito da Capital, Marcelo Miranda Soares. Ele tinha 87 anos e estava internado havia cerca de 20 dias no hospital da Unimed, onde tratava complicações de uma pneumonia.

Segundo familiares, Marcelo Miranda enfrentava problemas crônicos nos rins e também tinha histórico de complicações cardíacas. O quadro de saúde se agravou nos últimos dias e evoluiu para falência de órgãos. As informações sobre velório e sepultamento ainda serão divulgadas pela família.

A morte foi confirmada por familiares. Nas redes sociais, o neto do ex-governador, João Henrique Catan, publicou uma mensagem de despedida e lembrou a convivência com o avô. Ele afirmou que Marcelo Miranda “lutou até o último minuto” e destacou a disciplina e a inteligência como marcas de sua trajetória.

Sempre me preocupei em estar entre os primeiros para agradar a ele, porque via nele o suprassumo da capacidade e da inteligência. Ele sempre me dizia que isso não era o mais importante, o que valia era terminar uma tarefa, concluir, chegar até o fim”, escreveu João Henrique Catan.

Natural de Uberaba, em Minas Gerais, Marcelo Miranda era engenheiro e chegou à região que hoje forma Mato Grosso do Sul para atuar em obras de infraestrutura. Antes de ingressar na política, trabalhou na construção da barragem de Jupiá, entre Três Lagoas e Castilho, no interior de São Paulo.

Depois, atuou no Departamento de Estradas de Rodagem, onde participou de projetos ligados à abertura e estruturação de estradas vicinais. Ao longo da carreira pública, sua imagem ficou associada a obras de infraestrutura, energia, estradas e expansão administrativa do Estado.

A entrada na política ocorreu na década de 1970, por convite de Pedro Pedrossian e Levy Dias, que o estimularam a disputar a Prefeitura de Campo Grande. Em 1976, Marcelo Miranda foi eleito prefeito da Capital.

À frente do Executivo municipal, implantou ações voltadas à infraestrutura urbana, abastecimento de água, escolas e serviços básicos. Um dos programas lembrados desse período foi o Projeto Cura, que reunia investimentos voltados à organização e melhoria da estrutura urbana de Campo Grande.

Em 1979, dois anos após a criação de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda deixou a prefeitura para assumir o governo do novo Estado. Nomeado governador, sucedeu Harry Amorim Costa e permaneceu no cargo até 28 de outubro de 1980.

Nesse primeiro período no governo estadual, elevou nove distritos à categoria de município: Bodoquena, Costa Rica, Douradina, Itaquiraí, São Gabriel do Oeste, Selvíria, Sete Quedas, Tacuru e Taquarussu.

Em 1982, Marcelo Miranda foi eleito senador da República. Quatro anos depois, voltou a disputar o governo de Mato Grosso do Sul e foi eleito para comandar o Estado entre 1987 e 1991.

O segundo mandato foi marcado por desafios administrativos e políticos. O Estado ainda consolidava sua estrutura institucional e enfrentava pressões por investimentos em infraestrutura, interiorização do desenvolvimento e organização dos serviços públicos.

Durante esse período, Marcelo Miranda implantou cerca de 400 quilômetros de linha de energia elétrica entre Campo Grande e Corumbá, criou 15 municípios e pavimentou rodovias consideradas estratégicas para Mato Grosso do Sul, algumas delas posteriormente federalizadas.

A gestão também enfrentou momentos de tensão, incluindo greves de professores, reivindicações salariais e dificuldades financeiras. O próprio ex-governador, em entrevistas ao longo dos anos, classificou o período como conturbado, diante da resistência política enfrentada por sua administração.

Além dos mandatos de prefeito, governador e senador, Marcelo Miranda também ocupou o cargo de superintendente do Dnit, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, em Mato Grosso do Sul, entre 2003 e 2012.

A trajetória de Marcelo Miranda se confunde com etapas importantes da formação administrativa e estrutural de Mato Grosso do Sul. Sua atuação passou pela implantação de municípios, expansão da rede elétrica, construção de rodovias, gestão da Capital e consolidação política do Estado nos primeiros anos após a divisão.

Com a morte do ex-governador, Mato Grosso do Sul perde um dos nomes que participaram diretamente da construção institucional do Estado e da definição de obras que marcaram o desenvolvimento regional nas últimas décadas.


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