Política / Luto
Governo do Estado decreta luto oficial de três dias pela morte de Marcelo Miranda
Ex-governador de Mato Grosso do Sul morreu nesta terça-feira, em Campo Grande, após complicações de saúde
23/06/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O governador Eduardo Riedel (PP) decretou luto oficial de três dias em Mato Grosso do Sul pela morte do ex-governador Marcelo Miranda Soares, confirmada nesta terça-feira, 23 de junho, em Campo Grande. O decreto foi publicado em edição extra do Diário Oficial do Estado e entrou em vigor na mesma data.
Marcelo Miranda tinha 87 anos e estava internado havia cerca de 20 dias no hospital da Unimed, onde tratava complicações de uma pneumonia. Segundo familiares, o ex-governador enfrentava problemas renais crônicos e também tinha histórico de complicações cardíacas. O quadro se agravou nos últimos dias e evoluiu para falência de órgãos.
Na publicação oficial, o governo destacou a trajetória pública de Marcelo Miranda, formado pela Faculdade de Engenharia do Triângulo Mineiro, em 1964. O texto afirma que ele “construiu uma destacada trajetória como homem público, com singular atuação no cenário político do Estado”.
A família ainda deve informar os horários de velório e sepultamento. A morte também foi lembrada por familiares nas redes sociais. O neto do ex-governador, João Henrique Catan, publicou mensagem de despedida e afirmou que o avô “lutou até o último minuto”.
“Sempre me preocupei em estar entre os primeiros para agradar a ele, porque via nele o suprassumo da capacidade e da inteligência. Ele sempre me dizia que isso não era o mais importante, o que valia era terminar uma tarefa, concluir, chegar até o fim”, escreveu João Henrique Catan.
Natural de Uberaba, em Minas Gerais, Marcelo Miranda era engenheiro e chegou à região que hoje forma Mato Grosso do Sul para trabalhar em obras de infraestrutura. Antes de ingressar na política, atuou na construção da barragem de Jupiá, entre Três Lagoas e Castilho, no interior de São Paulo.
Depois, passou pelo Departamento de Estradas de Rodagem, onde participou de projetos ligados à abertura e estruturação de estradas vicinais. Ao longo da vida pública, sua imagem ficou associada a obras de infraestrutura, expansão da rede elétrica, pavimentação de rodovias e organização administrativa do Estado.
A entrada na política ocorreu na década de 1970, por convite de Pedro Pedrossian e Levy Dias, que o incentivaram a disputar a Prefeitura de Campo Grande. Em 1976, Marcelo Miranda foi eleito prefeito da Capital.
No comando da prefeitura, implantou ações voltadas à infraestrutura urbana, abastecimento de água, escolas e serviços básicos. Um dos programas lembrados desse período foi o Projeto Cura, que reunia investimentos para melhorar a estrutura da cidade.
Em 1979, dois anos após a criação de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda deixou a prefeitura para assumir o governo do novo Estado. Nomeado governador, sucedeu Harry Amorim Costa e permaneceu no cargo até 28 de outubro de 1980.
Nesse primeiro período no Executivo estadual, elevou nove distritos à categoria de município: Bodoquena, Costa Rica, Douradina, Itaquiraí, São Gabriel do Oeste, Selvíria, Sete Quedas, Tacuru e Taquarussu.
Em 1982, foi eleito senador da República. Quatro anos depois, voltou a disputar o governo de Mato Grosso do Sul e foi eleito para comandar o Estado entre 1987 e 1991.
O segundo mandato foi marcado por desafios políticos, administrativos e financeiros. O Estado ainda consolidava sua estrutura institucional e precisava ampliar investimentos em infraestrutura, interiorização do desenvolvimento e organização dos serviços públicos.
Durante esse período, Marcelo Miranda implantou cerca de 400 quilômetros de linha de energia elétrica entre Campo Grande e Corumbá, criou 15 municípios e pavimentou rodovias estratégicas para Mato Grosso do Sul, algumas delas posteriormente federalizadas.
A gestão também enfrentou greves de professores, reivindicações salariais e dificuldades com pagamentos. Em entrevistas ao longo dos anos, o próprio ex-governador classificou o período como conturbado, diante da resistência política enfrentada por sua administração.
Além dos mandatos de prefeito, governador e senador, Marcelo Miranda também foi superintendente do Dnit, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, em Mato Grosso do Sul, entre 2003 e 2012.
Com o luto oficial decretado, o governo reconhece a relevância institucional de Marcelo Miranda para a história política e administrativa do Estado. Sua trajetória se confunde com etapas importantes da formação de Mato Grosso do Sul, desde os primeiros anos após a divisão até projetos de infraestrutura que marcaram o desenvolvimento regional.
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