Saúde / Pesquisa
Nova sede de R$ 50 milhões amplia capacidade da Fiocruz em Mato Grosso do Sul
Estrutura inaugurada em Campo Grande permite pesquisas mais complexas, vigilância genômica e futuras oportunidades para pesquisadores
22/06/2026
14:00
DA REDAÇÃO
Diretora da Fiocruz em MS, Jislaine de Fátima Guilhermino, durante a inauguração (Foto: Sofia Lupaes)
A Fiocruz Mato Grosso do Sul inaugurou nesta segunda-feira (22), em Campo Grande, uma nova sede construída e equipada com mais de R$ 50 milhões em investimentos públicos. O prédio marca uma mudança estrutural para a instituição, que deixa de depender de laboratórios cedidos por outras entidades e passa a contar com espaço próprio para desenvolver pesquisas de maior complexidade no Estado.
A nova unidade fica ao lado da Embrapa Gado de Corte, na Vila Popular, e substitui a antiga sede localizada no Bairro Parati, que funcionava principalmente como espaço administrativo e de ensino. Antes da entrega do novo prédio, pesquisadores precisavam se deslocar para realizar análises em instituições parceiras, como o Lacen, a UFMS, a UCDB e outros laboratórios.
A diretora da Fiocruz MS, Jislaine de Fátima Guilhermino, destacou que a inauguração ocorre às vésperas dos 18 anos da fundação no Estado, celebrados em 30 de junho. Segundo ela, a nova estrutura oferece condições para ampliar o processamento de amostras e fortalecer áreas como vigilância epidemiológica, vigilância genômica e vigilância de base comunitária.

Com laboratórios próprios e equipamentos de maior capacidade, a instituição poderá acelerar estudos ligados a doenças infecciosas, vírus emergentes, sequenciamento genético e monitoramento de patógenos em regiões estratégicas. A expectativa é que a sede também aumente, futuramente, a demanda por pesquisadores e profissionais especializados em saúde pública.
Uma das primeiras frentes de pesquisa que pode ganhar impulso no novo espaço é o estudo de uma vacina contra a tuberculose. O infectologista e pesquisador Júlio Croda afirmou que o Centro de Pesquisa Clínica da unidade, ainda em fase de licitação, poderá receber no próximo ano a avaliação de uma vacina de RNA contra a doença, em parceria com Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz no Rio de Janeiro.
De acordo com Croda, a produção do imunizante ficará a cargo de Bio-Manguinhos, enquanto a estrutura de Campo Grande deverá contribuir com diagnóstico, recrutamento e acompanhamento de pacientes em ensaios clínicos. O pesquisador lembrou que Mato Grosso do Sul já participou de estudos relevantes, como os relacionados a uma vacina contra a dengue.
Além de vacinas, a nova sede poderá apoiar pesquisas voltadas ao desenvolvimento de medicamentos, insumos farmacêuticos e geração de dados para orientar políticas públicas. Para Jislaine, a ampliação da capacidade científica da unidade deve ajudar gestores e autoridades sanitárias a tomar decisões com base em informações mais precisas sobre a realidade epidemiológica do Estado.
A coordenadora de pesquisa Zoraida Fernandes Grillo, que atua há mais de 10 anos na Fiocruz MS, avaliou que a nova estrutura fortalece especialmente os estudos em áreas de fronteira. Entre os projetos em andamento, ela citou ações em Corumbá, em parceria com secretarias de saúde, e pesquisas voltadas ao povo indígena Guató.
Pesquisadora de vírus emergentes, Zoraida também ressaltou que a sede amplia a capacidade de sequenciamento genético iniciado em 2022, após a aquisição de equipamento específico. Segundo ela, a instituição já contribuiu com análises de amostras de influenza, chikungunya, dengue e outros vírus, trabalho considerado essencial para identificar variantes em circulação.
A nova unidade também deve permitir a oferta de mais cursos, treinamentos e parcerias com outras instituições de pesquisa. A estrutura poderá ser utilizada em projetos colaborativos, inclusive para apoio a pesquisadores interessados em sequenciamento de bactérias, plantas, animais silvestres e outros materiais de interesse científico.
Durante a inauguração, o presidente da Fiocruz nacional, Mario Santos Moreira, afirmou que a expansão da unidade em Mato Grosso do Sul é estratégica diante dos desafios sanitários e sociais do Estado, incluindo os impactos da Rota Bioceânica.
O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, também relacionou a nova sede ao avanço da industrialização em municípios sul-mato-grossenses. Ele citou exemplos como Ribas do Rio Pardo, que recebeu grande fluxo de trabalhadores com a instalação da fábrica de celulose, e apontou que processos semelhantes devem ocorrer em Inocência e Bataguassu.
Para o governo estadual e a comunidade científica, a nova sede da Fiocruz MS representa um salto na estrutura de pesquisa em saúde pública. A expectativa é que o espaço ajude a antecipar riscos, ampliar diagnósticos, formar profissionais e aproximar a produção científica das necessidades reais da população de Mato Grosso do Sul.
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