Campo Grande (MS), Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

Economia / Exportação

Bataguassu inaugura ZPE com projeto de data center em negociação

Zona de Processamento de Exportação começa a operar com duas empresas confirmadas e mira novos investimentos tecnológicos em MS

22/06/2026

16:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Mato Grosso do Sul inaugura nesta quinta-feira (25) a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Bataguassu, estrutura criada para atrair indústrias exportadoras, gerar empregos e ampliar a competitividade do Estado no comércio exterior. O empreendimento já tem duas empresas confirmadas e negocia a instalação de outras quatro, entre elas um projeto de data center.

A possibilidade de implantação de um centro de processamento de dados na região começou a ser discutida ainda na gestão do economista Jaime Verruck à frente da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação). Segundo ele, a localização e as condições naturais de Bataguassu tornam o município competitivo para receber esse tipo de empreendimento.

Verruck afirmou que a ZPE de Bataguassu representa um ativo estratégico para a captação de investimentos. Ele destacou a disponibilidade de água e o potencial de energia limpa como fatores relevantes para projetos de tecnologia, especialmente data centers, que demandam infraestrutura robusta, segurança energética e condições adequadas de operação.

A instalação de um data center não precisa ocorrer obrigatoriamente dentro da área alfandegada. Conforme o modelo previsto, empreendimentos vinculados à estratégia da ZPE podem se instalar em um raio de até 23 quilômetros da zona, o que amplia as possibilidades de atração de empresas de base tecnológica para o município.

A ZPE funciona como uma área de livre comércio com o exterior e tem status de zona primária de controle aduaneiro. Bataguassu será o quinto município do Brasil a contar com uma estrutura desse tipo e o primeiro com modelo 100% privado. A escolha da cidade leva em conta sua posição logística, com conexão a São Paulo, Paraná, Goiás, Paraguai e países do Mercosul.

Duas empresas já estão confirmadas para operar na área: a BioTube, companhia brasileira voltada a alternativas ecológicas aos plásticos descartáveis, e a BioFas, ligada ao setor de engenharia agroindustrial.

De acordo com o presidente da ZPE Bataguassu, Germano Augusto Silva, o objetivo é transformar a área em um dos principais polos industriais exportadores ligados ao agronegócio brasileiro. A estrutura ocupa 2 milhões de metros quadrados e será totalmente alfandegada, o que deve acelerar processos de liberação de cargas e reduzir custos operacionais.

Para Germano, a expectativa é que a zona gere empregos, atraia oportunidades para a população de Mato Grosso do Sul e aumente a competitividade das empresas instaladas no local. Ele também destacou que o projeto está articulado com o Governo do Estado e que a região tem condições de receber empreendimentos tecnológicos, inclusive pela proximidade com polos universitários, como Presidente Prudente (SP).

O presidente da ZPE cita como referência o modelo implantado no Ceará, onde a zona de processamento recebeu grandes investimentos industriais e tecnológicos. Segundo ele, a experiência cearense mostra o potencial desse tipo de estrutura para ampliar a participação da indústria no desenvolvimento econômico estadual.

Entre os principais atrativos das ZPEs estão os benefícios tributários concedidos a empresas exportadoras. O modelo prevê isenção de tributos federais como IPI, PIS e Cofins, além de vantagens na importação de insumos usados na produção destinada ao mercado externo.

Dentro da ZPE, também há isenção de AFRMM, CBS e IBS em compras internas e importações, com suspensão imediata da cobrança. Na prática, essas condições reduzem custos, melhoram o capital de giro e tornam a operação mais competitiva para empresas voltadas à exportação.

A inauguração da ZPE de Bataguassu reforça a estratégia de Mato Grosso do Sul de ampliar sua base industrial, diversificar a economia e atrair investimentos de maior valor agregado. Caso o projeto de data center avance, o Estado poderá somar à vocação agroindustrial uma nova frente ligada à tecnologia, processamento de dados e infraestrutura digital.


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