Campo Grande (MS), Terça-feira, 16 de Junho de 2026

Saúde / Política

Terceirização de unidades de saúde deve voltar ao debate em Campo Grande após eleições

Projeto foi rejeitado pela Câmara, mas gestão municipal afirma que modelo de contratualização segue em análise dentro da administração

14/05/2026

12:00

DA REDAÇÃO

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A discussão sobre a terceirização da gestão de unidades de urgência e emergência em Campo Grande deve voltar à pauta após o período eleitoral. O tema foi tratado nesta quinta-feira (14), durante reunião a portas fechadas na Câmara Municipal, com a presença de vereadores e dos secretários municipais Marcelo Vilela, da Saúde, e Ulisses Rocha, de Governo.

Além do modelo de gestão das unidades de saúde, o encontro também discutiu o abastecimento de medicamentos na rede pública, problema que vem gerando reclamações de usuários e cobranças dos parlamentares desde 2023.

Ao deixar a reunião, o secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, afirmou que a proposta de repassar a gestão das unidades está suspensa, pelo menos por enquanto, em razão do calendário eleitoral.

“Agora está vindo a campanha eleitoral e a gente não quer mais conversar sobre isso. Mas teremos, sim, iniciativas para melhorar a assistência à população. Há ideias que já são praticadas em outros lugares do Brasil e vamos continuar discutindo isso aqui com a Câmara e internamente com os servidores”, disse o secretário.

Prefeitura não desistiu da proposta

A proposta de terceirização já havia sido encaminhada pela prefeitura à Câmara, mas foi rejeitada após forte resistência de servidores, protestos e voto contrário da maioria dos vereadores.

Mesmo com a derrota no Legislativo, o secretário municipal de Governo, Ulisses Rocha, confirmou que a administração da prefeita Adriane Lopes (PP) não abandonou a ideia.

“A ideia da terceirização, da contratualização, ficou muito estigmatizada, mas não deixou de existir dentro da administração”, afirmou.

Segundo Rocha, a prefeitura segue analisando modelos adotados em outras cidades brasileiras. No entanto, nenhum dos secretários detalhou quais experiências estão sendo estudadas nem como uma eventual nova proposta poderia ser apresentada à Câmara.

O presidente da Casa, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), avaliou que a falta de diálogo direto da prefeita com os parlamentares contribuiu para a rejeição do projeto.

“Isso contribuiu para o fracasso”, afirmou o presidente da Câmara.

Prefeitura promete reformas e novos equipamentos

Enquanto o debate sobre a terceirização fica suspenso, a Secretaria Municipal de Saúde afirma que pretende avançar em medidas para melhorar a estrutura das unidades.

De acordo com Marcelo Vilela, a prefeitura prepara reformas e aquisição de novos equipamentos para toda a rede. A previsão é de que as ações comecem nos próximos meses, após a conclusão de processo licitatório, e sejam finalizadas até o fim do ano.

“Nos próximos meses, estamos esperando a licitação terminar para fazer a requalificação de todas as nossas unidades porque isso é exigido pelo Ministério da Saúde para recebimento de recursos. Isso deve melhorar um pouco as estruturas”, declarou o secretário.

A requalificação das unidades é apresentada pela gestão como uma das alternativas para melhorar o atendimento aos pacientes, enquanto a administração mantém em estudo possíveis mudanças no modelo de gestão.

Falta de medicamentos também entrou na reunião

Outro ponto discutido com os vereadores foi o desabastecimento de medicamentos na rede municipal. O problema, registrado desde 2023, chegou a ser amenizado em alguns períodos, mas ainda persiste em unidades de saúde da Capital.

A convocação do secretário Ulisses Rocha ocorreu após ele afirmar, em entrevista anterior, que haveria suposto boicote de servidores à administração no controle e na informação sobre medicamentos disponíveis.

Na reunião, Rocha explicou que foram identificados casos em que determinados medicamentos constavam no estoque das unidades, mas servidores teriam informado aos pacientes que os itens estavam em falta.

“Havia algumas unidades, inclusive com testemunhos, onde servidores disseram que não havia determinado medicamento, mas tinha. E foi mais de um caso. A Secretaria Municipal de Saúde, assim como a Controladoria Municipal, estão apurando. Já existe uma sindicância em curso e isso deve avançar depois para um processo administrativo disciplinar”, detalhou.

O secretário, porém, afirmou que a suspeita não atinge a maioria dos trabalhadores da saúde.

“A saúde existe porque tem um número enorme de servidores que trabalham, são dedicados, prestativos e fazem seu trabalho da melhor forma possível. Não estou falando desses servidores. Estou dizendo que houve mais de um caso envolvendo servidores”, disse Rocha.

Estoque zerado atinge 27,57% dos medicamentos obrigatórios

Durante a reunião, foi apresentado um documento indicando que 27,57% dos medicamentos que o município tem obrigação de fornecer estão com estoque zerado.

Ao todo, faltam 67 medicamentos de uma lista de 243 itens. Entre os produtos desabastecidos, 52 ainda aguardam entrega por fornecedores, enquanto outros 15 dependem da abertura de novos processos de compra.

A relação apresentada aos vereadores não trouxe o nome dos medicamentos em falta.

A situação deve continuar sendo acompanhada pela Câmara, especialmente diante das reclamações de pacientes e da necessidade de regularização do abastecimento nas unidades da rede pública municipal.


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