Conflito / Fundiário
Vander diz que levará a Lula pedido sobre tensão em Sidrolândia após ataques a fazendas
Deputado se reuniu com lideranças indígenas e afirmou que documento será entregue ao presidente durante agenda em Mato Grosso do Sul
15/06/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado federal Vander Loubet (PT) afirmou nesta segunda-feira, 15 de junho, que levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a situação envolvendo os ataques registrados em propriedades rurais de Sidrolândia, a 71 quilômetros de Campo Grande. A declaração foi feita após reunião com caciques e lideranças indígenas da região, em meio à tensão provocada pela invasão, saque e incêndio de uma fazenda no fim de semana.
Segundo o parlamentar, uma ata elaborada durante o encontro será entregue ao presidente, que tem agenda prevista em Mato Grosso do Sul no próximo dia 25 de junho. O documento pede a regularização e a demarcação da Terra Indígena Buriti, além da apuração dos ataques e da punição dos responsáveis.
De acordo com Vander Loubet, a intenção é pedir ao Governo Federal que acelere uma solução para o impasse fundiário na região, buscando alternativas que garantam segurança às comunidades indígenas e aos produtores rurais. O deputado citou como referência ações realizadas em Antônio João, onde houve tratativas relacionadas à aquisição de áreas e regularização territorial.
Após a reunião, Vander afirmou que os ataques às fazendas teriam sido uma ação isolada de um grupo indígena e disse que as lideranças presentes negaram envolvimento nos episódios registrados no fim de semana. Segundo ele, a reunião também teve o objetivo de evitar que a responsabilidade pelos atos fosse atribuída de forma generalizada às comunidades da região.
O deputado estadual Zeca do PT também participou do encontro com os caciques. A presença dos parlamentares ocorreu em um momento de forte pressão política e institucional, com cobrança por investigação, segurança e encaminhamento federal para o conflito territorial.
A agenda de Lula em Mato Grosso do Sul está prevista para ocorrer em Ponta Porã, onde o presidente deve participar de atos do Programa Terra da Gente e de ações de estruturação produtiva no Assentamento Itamarati. Também está prevista a entrega de 1,4 mil títulos de regularização fundiária.
Ataques em Sidrolândia
O caso que aumentou a tensão na região ocorreu na noite de sábado, 13 de junho, quando a proprietária de uma fazenda em Sidrolândia procurou a polícia para denunciar a invasão da propriedade. Segundo o relato registrado, indígenas ligados à região da Aldeia Buriti teriam entrado no local, causado danos, incendiado máquinas agrícolas e mantido funcionários sob ameaça.
Na manhã de domingo, 14 de junho, equipes policiais foram até a fazenda para apurar a denúncia e ouvir os envolvidos. A proprietária relatou que máquinas, estruturas e insumos agrícolas foram incendiados durante a ação. Ela também informou que mulheres e crianças teriam sido mantidas no local contra a vontade e que trabalhadores chegaram a ser algemados pelos invasores.
De acordo com informações da Polícia Militar, equipes especializadas foram acionadas para atender a ocorrência. No local, foram constatados danos ao patrimônio, destruição de maquinários, furtos de insumos e focos de incêndio. Árvores também teriam sido derrubadas e usadas como barricadas para dificultar o acesso das forças de segurança.
O episódio reacendeu a discussão sobre o conflito fundiário em Sidrolândia, especialmente na área ligada à Terra Indígena Buriti, processo que se arrasta há anos e envolve disputas judiciais, reivindicações territoriais e cobrança por atuação do Governo Federal.
A expectativa agora é que o caso seja levado diretamente ao presidente Lula durante a visita ao Estado. Para os parlamentares envolvidos na reunião, a solução passa pela investigação dos crimes, responsabilização individual dos autores e avanço em uma saída institucional para reduzir a tensão entre indígenas e produtores rurais.
Enquanto isso, as forças de segurança seguem acompanhando a situação na região. O impacto prático do conflito atinge tanto famílias indígenas que cobram regularização territorial quanto produtores rurais que pedem proteção às propriedades e garantia de segurança para trabalhar.
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