Educação / Negociação
Prefeitura adia definição sobre reajuste dos professores e promete nova proposta
Executivo pediu prazo para avaliar remanejamento de recursos da educação; nova reunião com a categoria será na próxima semana
15/06/2026
12:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A definição sobre o reajuste previsto para os professores da Rede Municipal de Ensino de Campo Grande foi adiada após reunião realizada nesta segunda-feira, 15 de junho, no Paço Municipal. Depois de quase duas horas de conversa, a Prefeitura pediu mais prazo para apresentar uma proposta sobre a aplicação do percentual ligado à política do Piso 20h.
O novo encontro entre o Executivo e a categoria foi marcado para a próxima semana. A expectativa é que, até lá, a administração municipal apresente alternativas de remanejamento dentro das verbas da educação para viabilizar a reposição reivindicada pelos professores.
A reunião ocorreu a portas fechadas e contou com a presença da prefeita Adriane Lopes (PP), de integrantes do primeiro escalão da administração municipal, de uma comissão de vereadores e de representantes da categoria. A comissão dos professores foi liderada pelo presidente da ACP (Associação Campo-Grandense de Professores), Gilvano Kunzler.
Após o encontro, o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, afirmou que o cumprimento do reajuste é uma intenção tanto da Prefeitura quanto dos profissionais da educação. Segundo ele, antes de fechar uma proposta, o município precisa avaliar a real situação financeira e orçamentária.
O secretário destacou que o orçamento deste ano impõe dificuldades ao cumprimento do acordo firmado anteriormente. Entre os fatores citados estão a redução no repasse do ICMS, a queda nos recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e os impactos provocados por mudanças no IPTU no início do ano.
De acordo com Gilvano Kunzler, a Prefeitura apresentou oficialmente os números da educação, incluindo os repasses do Fundeb e os recursos próprios aplicados pelo município na área. Apesar do adiamento, o sindicalista afirmou que a categoria segue confiante no cumprimento do acordo firmado no ano passado.

Segundo o presidente da ACP, algumas hipóteses foram discutidas durante a reunião, mas ainda não foram formalizadas pelo Executivo. Ele afirmou que o próximo encontro deverá apresentar caminhos mais concretos para permitir a concessão da reposição, a partir de eventuais remanejamentos dentro do orçamento da educação.
A negociação ocorre após paralisação realizada na última sexta-feira, 12 de junho, quando os professores cobraram avanço no pagamento do reajuste. A categoria previa discutir um possível indicativo de greve, mas, após o aceno da Prefeitura para apresentar estudos financeiros, a tendência é que a assembleia desta segunda-feira apenas atualize os profissionais sobre o andamento das tratativas.
Gilvano Kunzler afirmou que dificilmente a categoria sairá da assembleia com indicativo de greve, justamente porque o Executivo sinalizou a continuidade das negociações e a apresentação de alternativas. A posição final, no entanto, dependerá da avaliação dos professores reunidos em assembleia.
A discussão sobre o reajuste dos professores tem impacto direto na relação entre a Prefeitura e os servidores da educação. Para a categoria, a aplicação do percentual representa o cumprimento de um acordo já assumido. Para o município, a decisão depende da compatibilização entre a folha de pagamento, os repasses vinculados à educação e a situação geral das receitas públicas.
A nova reunião será decisiva para indicar se haverá acordo sem avanço do movimento de paralisação. Até lá, a categoria aguarda uma proposta formal da Prefeitura, enquanto o Executivo tenta encontrar espaço no orçamento para atender a reivindicação dos professores.
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