Saúde / Pública
Mato Grosso do Sul amplia atendimentos e fortalece hospitais do interior
Dados da Secretaria de Estado de Saúde apontam alta de 46% nos procedimentos ambulatoriais e avanço da regionalização no atendimento pelo SUS
15/06/2026
17:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Mato Grosso do Sul ampliou a oferta de serviços públicos de saúde e avançou na estratégia de regionalização do atendimento, com o objetivo de reduzir deslocamentos de pacientes e diminuir a pressão sobre Campo Grande. Entre janeiro e abril de 2026, o Estado realizou 5,59 milhões de procedimentos ambulatoriais e 12.578 internações hospitalares, conforme dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) em audiência pública na Assembleia Legislativa.
No mesmo período, foram aplicados R$ 783,1 milhões em ações e serviços públicos de saúde. Segundo a SES, 87,41% desse montante corresponde a recursos estaduais, usados para custear atendimentos, fortalecer hospitais, ampliar a estrutura da rede e enfrentar filas por consultas, exames e procedimentos.
Na comparação com o primeiro quadrimestre de 2023, os procedimentos ambulatoriais cresceram 46%. As internações hospitalares também tiveram alta, com avanço de 42,8% no período. Os números indicam maior volume de atendimento na rede pública e reforçam a tentativa do Estado de ampliar a capacidade do SUS em diferentes regiões.
Um dos principais eixos da estratégia é a interiorização da assistência. Atualmente, 37% dos encaminhamentos regulados já são direcionados a hospitais localizados fora da Capital. A medida busca aproximar o atendimento dos pacientes, reduzir viagens longas e organizar melhor o fluxo de casos que antes eram concentrados em Campo Grande.
A mudança está ligada à Política Estadual de Fortalecimento Hospitalar, que prevê apoio a hospitais municipais e regionais para ampliar a capacidade de atendimento. A proposta é fazer com que unidades do interior tenham mais condições de receber pacientes regulados, realizar procedimentos e dar resposta a demandas de média e alta complexidade dentro das próprias regiões.
Para o governador Eduardo Riedel (Progressistas), fortalecer hospitais do interior é uma forma de atender pessoas que antes precisavam se deslocar até a Capital para conseguir consulta, exame ou internação. Segundo ele, a saúde pública precisa estar mais próxima da população, com estrutura, tecnologia e equipes preparadas.
A ampliação do acesso também passa pelo programa MS Saúde – Mais Saúde, Menos Fila. Nos quatro primeiros meses de 2026, a iniciativa realizou mais de 16 mil consultas especializadas e 13,6 mil exames. Conforme os dados apresentados, o programa registra índice de aprovação de 99,2% entre os usuários atendidos.
Outra frente em expansão é a saúde digital. Atualmente, 79,5% dos municípios sul-mato-grossenses contam com algum tipo de oferta de telessaúde ou telemedicina. Além disso, 61,5% possuem serviços estruturados de teleatendimento. A tecnologia permite ampliar o acesso a especialistas, apoiar equipes municipais e agilizar orientações clínicas em localidades com menor oferta presencial.
Na área de infraestrutura, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, passa por reformas que incluem a revitalização da UTI Pediátrica, da Central de Material Esterilizado e da área externa. As obras fazem parte do processo de modernização da unidade, considerada uma das principais referências estaduais.
Em Dourados, a terceira etapa de ampliação do Hospital Regional chegou a 99,45% de execução. A estrutura prevê novos leitos de enfermaria, unidades de terapia intensiva e setor de hemodinâmica, com impacto direto na capacidade de atendimento da região sul do Estado.
O governo também executa a reforma e ampliação do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), com investimento superior a R$ 15,4 milhões. Em paralelo, avançam os trabalhos para conclusão dos Serviços de Verificação de Óbitos de Campo Grande e Dourados.
A rede estadual ainda recebe novos equipamentos, como tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética, arcos cirúrgicos, equipamentos de raio-X e monitores multiparâmetros. A aquisição busca melhorar o diagnóstico, ampliar a capacidade de atendimento e reduzir a dependência de deslocamentos para exames em centros maiores.
Com investimento público, regionalização, saúde digital e renovação tecnológica, o Estado tenta reorganizar a rede para atender mais perto da casa dos pacientes. Na prática, o avanço pode reduzir filas, diminuir a sobrecarga sobre hospitais da Capital e melhorar o acesso ao atendimento para quem depende do SUS em Mato Grosso do Sul.
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