Política Internacional
Lula e Macron conversam por telefone sobre Conselho da Paz, acordo Mercosul-UE e cooperação bilateral
Presidentes defenderam fortalecimento da ONU e trocaram impressões sobre crise na Venezuela e futuro do pacto comercial
27/01/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da França, Emmanuel Macron, mantiveram nesta terça-feira (27) um telefonema de cerca de uma hora no qual trataram de temas centrais da agenda internacional e bilateral.
A ligação — divulgada pelo Palácio do Planalto — teve como um dos principais focos a proposta do chamado “Conselho da Paz”, iniciativa idealizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o objetivo declarado de pacificar e reconstruir a Faixa de Gaza. Durante a conversa, os dois líderes **defenderam o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e concordaram que qualquer iniciativa em matéria de paz e segurança deve estar alinhada aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios da Carta da ONU.
O Brasil foi convidado a integrar o conselho, mas Lula ainda não respondeu oficialmente ao convite — após críticas públicas na semana passada sobre a proposta, ele sugeriu que o colegiado inclua um assento para a Palestina e se concentre apenas em questões relacionadas à Gaza.
No telefonema, Lula e Macron também abordaram a situação na Venezuela, concordando em condenar o uso da força em violação ao direito internacional e enfatizando a importância da paz e estabilidade regional e global.
Os presidentes trataram ainda do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado em 17 de janeiro de 2026, após quase 26 anos de negociações entre os blocos.
Lula reafirmou sua visão de que o acordo é positivo para os dois blocos, reforçando que ele pode representar uma contribuição significativa para o multilateralismo e o comércio baseado em regras.
Apesar da assinatura, o processo de implementação do tratado ainda enfrenta obstáculos: recentemente o **Parlamento Europeu decidiu solicitar ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) uma avaliação jurídica sobre o acordo, o que pode atrasar a ratificação por até alguns anos.
A França tem se posicionado como um dos países mais cautelosos da UE em relação ao acordo, em parte por preocupações de setores como a agricultura.
Além das questões globais, os líderes também dialogaram sobre a agenda bilateral, com compromissos de avançar negociações em áreas como defesa, ciência e tecnologia e energia, com objetivo de finalizar acordos ainda no primeiro semestre de 2026.
A conversa ocorre em um momento de intensificação da diplomacia brasileira no cenário internacional, com Lula participando de diversas trocas com líderes de países como China, Rússia, Turquia, Índia, entre outros, nos últimos dias.
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