Política Internacional
Lula conversa com Trump sobre Venezuela, Conselho da Paz e agenda visita oficial a Washington
Ligação de 50 minutos abordou crise regional, cooperação bilateral e reforma da ONU; presidente brasileiro não confirmou adesão ao órgão proposto pelos EUA
26/01/2026
13:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, nesta segunda-feira (26), com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A ligação, que durou cerca de 50 minutos, tratou da situação na Venezuela, da criação do Conselho da Paz idealizado por Trump e resultou no acerto preliminar de uma visita de Lula a Washington nos próximos meses, segundo informou o Palácio do Planalto.
De acordo com nota oficial, os dois líderes trocaram impressões sobre o cenário venezuelano, e Lula ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade regional, além de trabalhar pelo bem-estar do povo da Venezuela. Esta foi a primeira conversa entre Lula e Trump desde a operação militar dos EUA que resultou na retirada de Nicolás Maduro do poder e na sua detenção em território norte-americano.
Apesar do diálogo, Lula tem adotado posição crítica à ação militar dos Estados Unidos. Na última sexta-feira (23), o presidente classificou a intervenção como uma “falta de respeito” e afirmou que a América Latina não aceitará imposições externas. O petista também voltou a criticar o enfraquecimento do multilateralismo e disse que a Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) vem sendo “rasgada”, com a prevalência da chamada “lei do mais forte” nas relações internacionais.
Durante a ligação, Lula reiterou a defesa de uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, com ampliação do número de membros permanentes — uma bandeira histórica do governo brasileiro desde o primeiro mandato do presidente, em 2003.
Outro ponto central da conversa foi o convite feito por Trump para que o Brasil integre o Conselho da Paz, órgão criado pelos Estados Unidos. Lula não confirmou a participação brasileira e sugeriu que a atuação do conselho seja limitada à questão humanitária e ao conflito na Faixa de Gaza, além de prever assento para a Palestina nos debates.
Segundo fontes da diplomacia brasileira, o governo não tem pressa em responder ao convite e avalia solicitar esclarecimentos técnicos e jurídicos sobre o funcionamento do órgão. A preocupação do Itamaraty é com o caráter unilateral da iniciativa, que teria presidência fixa dos EUA e apoio explícito a apenas um dos lados dos conflitos internacionais.
Durante a conversa, Lula e Trump combinaram um encontro presencial em Washington, a ser realizado após viagens já previstas do presidente brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, em fevereiro. A expectativa é de que a visita ocorra em março.
Os presidentes também discutiram o cenário econômico dos dois países e avaliaram que há boas perspectivas para Brasil e Estados Unidos, destacando que o crescimento das duas economias beneficia toda a região das Américas. Trump citou ainda o avanço no relacionamento bilateral, que resultou na retirada de parte das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.
Lula manifestou interesse em ampliar a cooperação bilateral nas áreas de combate à lavagem de dinheiro, tráfico de armas, congelamento de ativos de organizações criminosas e intercâmbio de informações financeiras. Segundo o Planalto, a proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano.
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