Política / Partidos
Saída de Simone Tebet do MDB já é tratada como certa e ministra pode disputar eleição por São Paulo
Planejamento político envolve troca de partido, apoio de Lula e manutenção de alianças em Mato Grosso do Sul
27/01/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A permanência da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), no MDB já é considerada improvável por lideranças do partido em Mato Grosso do Sul. Apesar disso, a avaliação interna é de que a ministra não deve romper completamente os laços históricos com a sigla, onde construiu quase três décadas de trajetória política.
Simone Tebet deve se reunir nesta semana com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir seu futuro político. A ministra é cotada para concorrer em São Paulo, seja ao Governo do Estado ou ao Senado, cenário que praticamente inviabiliza sua permanência no MDB.
O principal entrave é o posicionamento do MDB paulista, que já firmou aliança com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a eleição estadual. Nesse contexto, não haveria espaço para Simone disputar um cargo majoritário pelo partido em São Paulo.
“O partido em São Paulo está alinhado com o projeto de reeleição do Tarcísio. Então, ela não teria espaço para disputar uma majoritária por lá pelo MDB. A saída pode ser o caminho natural”, afirmou Carlos Marun, uma das principais lideranças do MDB em Mato Grosso do Sul.
Segundo interlocutores, Lula deseja que Simone Tebet esteja no jogo eleitoral, especialmente em São Paulo. Para isso, a ministra teria de trocar de sigla, mesmo resistindo à ideia. O PSB surge como o caminho mais provável, partido que hoje ocupa a Vice-Presidência da República, com Geraldo Alckmin.
Simone Tebet demonstra resistência em deixar o MDB, partido ao qual é filiada há quase 30 anos e que também integrou a trajetória política de seu pai, o ex-senador Ramez Tebet. Ainda assim, aliados avaliam que a mudança pode ocorrer de forma estratégica, sem rompimentos definitivos.
O marido da ministra, Eduardo Rocha, pretende disputar uma vaga de deputado estadual em Mato Grosso do Sul, mas não deve acompanhar Simone na eventual saída do MDB. Rocha afirmou que seguirá orientação do governador Eduardo Riedel (PP).
“Pergunta para o governador Eduardo Riedel. Ele que sabe”, declarou Rocha ao ser questionado sobre a possibilidade de deixar o partido.
Rocha foi chefe da Casa Civil no governo Riedel e deixou o cargo no mês passado para se dedicar à pré-candidatura. Ele deve apoiar a reeleição de Riedel, posição que também é compartilhada por Simone Tebet, que nunca escondeu a simpatia pelo governador.
A eventual ida de Simone Tebet para o PSB e sua candidatura por São Paulo também resolveria um impasse político em Mato Grosso do Sul. Lideranças do PT já sinalizaram que, caso Simone fosse candidata no Estado e mantivesse apoio a Eduardo Riedel, seria “duramente combatida” pelos petistas.
O desfecho das conversas com Lula deve definir não apenas o futuro partidário de Simone Tebet, mas também seu papel estratégico nas eleições nacionais e o redesenho das alianças políticas entre Brasília, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
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