Campo Grande (MS), Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026

Política / Partidos

PSDB entra em rota de esvaziamento em MS e pode ficar com apenas duas cadeiras na Alems

Tucanos já perderam 24 prefeituras e podem ficar com apenas duas cadeiras na Assembleia Legislativa após mudanças partidárias

27/01/2026

08:30

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

A pouco mais de um mês da abertura da janela partidária, o PSDB enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história em Mato Grosso do Sul. A legenda, que já foi a principal força política do Estado, perdeu espaço nas prefeituras, viu lideranças deixarem o partido e agora corre o risco de sofrer um novo “limpa”, tanto no Executivo municipal quanto na Assembleia Legislativa (Alems).

O cenário reflete um declínio nacional do PSDB, que teve impacto direto no Estado com a saída de quadros históricos e o enfraquecimento da estrutura partidária. O chamado “ninho tucano” encolheu de forma expressiva nos últimos meses e deve diminuir ainda mais com o período legal de troca de siglas.

Debandada nas prefeituras

O PSDB perdeu 24 das 44 prefeituras que comandava em Mato Grosso do Sul. Nas cinco maiores cidades do Estado, a legenda chegou a governar três, mas hoje administra apenas minoria.

Grande parte dos prefeitos que deixaram o partido migrou para outras siglas:

  • 19 prefeitos foram para o PL

  • 5 prefeitos migraram para o PP, da senadora Tereza Cristina

A perda de espaço municipal aprofundou a crise interna e enfraqueceu a capacidade de articulação do partido no Estado.

Janela partidária e risco de nova debandada

A janela partidária de 2026 ocorrerá entre 6 de março e 5 de abril, período em que parlamentares poderão trocar de partido sem perder o mandato. A expectativa é de que a maioria dos deputados estaduais do PSDB em MS deixe a sigla, agravando ainda mais o esvaziamento político.

Crise interna e disputa por comando

Além da perda de quadros, o PSDB enfrenta impasses internos relacionados à liderança estadual do partido. Parte dos filiados defendia que o deputado estadual Pedro Caravina assumisse o comando da sigla em Mato Grosso do Sul. No entanto, após entraves, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, decidiu que Beto Pereira e Geraldo Resende ficariam à frente da legenda no Estado.

A decisão desagradou parlamentares e filiados, alimentando o descontentamento e estimulando novas saídas.

Alems deve ser o próximo alvo da debandada

Após a perda de espaço nas prefeituras, o próximo impacto deve ocorrer na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Atualmente, o PSDB ainda possui a maior bancada da Alems, com seis deputados:

  • Lia Nogueira

  • Pedro Caravina

  • Jamilson Name

  • Paulo Corrêa

  • Zé Teixeira

  • Mara Caseiro

No entanto, apenas Lia Nogueira e Pedro Caravina sinalizam permanência no partido. Já Jamilson Name, Paulo Corrêa, Zé Teixeira e Mara Caseiro afirmaram que devem deixar o PSDB durante a janela partidária.

Críticas públicas e ameaça de racha

O descontentamento ficou evidente nas declarações do deputado Jamilson Name (PSDB), que não poupou críticas ao partido.

“Que PSDB? Estou só esperando a janela para sair fora do PSDB! O PSDB acabou”, afirmou o parlamentar.

Além das saídas já anunciadas, há risco de racha interno. Parlamentares relatam insatisfação com a condução do partido e afirmam que podem até desistir da disputa eleitoral de 2026 caso não haja mudanças na liderança estadual. Outros já tratam o futuro da legenda como irrelevante para seus projetos políticos.

Encolhimento histórico

Com a provável debandada na Alems, o PSDB deve passar de seis para apenas duas cadeiras no Legislativo estadual, consolidando a perda de protagonismo que marcou a história recente do partido em Mato Grosso do Sul.

O cenário reforça a percepção de que o PSDB atravessa uma crise estrutural profunda, com impacto direto no tabuleiro político estadual e reflexos importantes na disputa eleitoral de 2026.


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