Campo Grande (MS), Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026

Política / Eleições 2026

Caiado confirma saída do União Brasil e busca nova sigla para viabilizar candidatura ao Planalto

Governador de Goiás diz que não abrirá mão da disputa presidencial e alerta para risco de fragmentação da direita diante de Lula

27/01/2026

14:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça-feira (27) que já comunicou à cúpula do União Brasil sua decisão de deixar o partido e que negocia filiação a outras siglas com o objetivo de disputar a Presidência da República. Segundo ele, a saída é tratada como irreversível dentro da legenda.

Em entrevista à rádio Nova Brasil, Caiado disse que informou a decisão ao presidente nacional do partido, Antônio Rueda, e ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto. “Eu já informei o presidente do partido, o Rueda, o ACM Neto, que é meu amigo, irmão, e já disse que entendo a dificuldade do partido. Só que, nessa situação, eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido pelo qual me candidatar”, declarou.

De acordo com o governador, as conversas sobre uma eventual saída do União Brasil se intensificaram desde o fim de 2025, mas chegaram a um ponto limite. “Essa é uma realidade que vem sendo discutida desde o período do Natal e do Ano Novo, e chegou o momento em que não se pode esperar mais”, afirmou.

Negociações em andamento

Sem revelar quais siglas estão em negociação, Caiado afirmou que mantém diálogo com diferentes partidos e que a definição deve ocorrer em breve. “Irei até o fim. Estou em contato com outros partidos, e o entendimento é avançarmos para a campanha. Isso é algo a ser resolvido nos próximos dias”, disse.

Cenário eleitoral

A movimentação ocorre em um contexto no qual Caiado ainda aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em simulações eleitorais. Pesquisa AtlasIntel, divulgada em 21 de janeiro, aponta Lula com 49% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o governador goiano, que registra 39%. Outros 13% não souberam ou preferiram não responder. O levantamento ouviu 5.418 pessoas, entre 15 e 20 de janeiro, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95% (registro TSE BR-02804/2026).

Direita fragmentada

Caiado avaliou que a pulverização de candidaturas no campo da direita pode ser uma estratégia para enfrentar o PT, argumentando que a concentração em um único nome favoreceria o governo. “Com o PT no poder, é um processo duro, que não tem limite e tenta ganhar a eleição a qualquer custo. Se houver apenas um candidato, ele terá dificuldade de chegar até outubro”, afirmou.

O governador também relativizou a força de uma indicação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Embora reconheça o peso político do ex-chefe do Executivo, Caiado afirmou que o apoio não se traduz automaticamente em votos. “Uma coisa é ele ser candidato, outra é indicar alguém. Não existe transferência total”, disse, acrescentando que apoiaria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.


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