Agronegócio / Justiça
Após 34 anos, acordo fundiário em Juti encerra disputa entre produtores rurais e indígenas com mediação da Famasul
Homologação judicial garante indenização de R$ 6 milhões e é apontada como exemplo de diálogo e segurança jurídica no campo
26/01/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Foi publicada nesta segunda-feira (26), no Diário da Justiça, a homologação do acordo que encerra um conflito fundiário de mais de 30 anos envolvendo proprietários rurais e indígenas da Terra Indígena Jarará, localizada no município de Juti, no sul de Mato Grosso do Sul. O entendimento põe fim a uma disputa marcada por décadas de judicialização e incertezas.
Para o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, a conclusão do processo comprova que o diálogo institucional é capaz de produzir soluções duradouras.
“Esse acordo mostra que é possível encontrar um caminho resolutivo quando há maturidade de todas as partes envolvidas que estão dispostas a conversar. Estamos falando de uma família que aguardou por mais de 30 anos uma definição da Justiça em busca de seus direitos, assim como os indígenas”, afirmou.
A área em litígio possui 479 hectares e foi demarcada como terra indígena em 1992. Desde então, permaneceu sob disputa judicial, apesar de decisões favoráveis aos proprietários em diferentes instâncias. A solução definitiva, no entanto, só foi viabilizada por meio do acordo consensual, agora homologado.
Em carta enviada à Famasul, a proprietária rural destacou o papel decisivo da entidade na condução das negociações.
“Foi graças à representatividade da Famasul perante o governo federal e outras partes do processo que conseguimos achar o caminho. Embora o processo estivesse judicializado e com sentenças favoráveis, a solução definitiva ainda estava distante e poderia levar muitos anos”, relatou.
Pelo acordo judicial, a União pagará R$ 6 milhões de indenização pela propriedade rural, encerrando definitivamente o processo.
A Funai ficará responsável pela transferência do domínio da área no cartório de Caarapó;
A União deverá adotar, até 31 de janeiro, as providências para a expedição do precatório;
O pagamento está previsto para 2027, pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).
O caso de Juti é o segundo acordo fundiário firmado no Estado envolvendo produtores rurais e comunidades indígenas. Em 2024, Mato Grosso do Sul registrou um marco histórico com o primeiro acordo consensual do país, em Antônio João, envolvendo a Terra Indígena Ñande Ru Marangatu, na fronteira com o Paraguai.
Segundo Marcelo Bertoni, a atuação institucional é essencial para destravar conflitos históricos.
“Há mais de 30 anos, a Famasul e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) trabalham incansavelmente como intermediadoras para chegar a esses acordos. Somente assim os produtores terão segurança para investir em suas propriedades e contribuir para o desenvolvimento econômico do setor e da região.”
A proprietária rural reforçou o sentimento de alívio com a resolução.
“Existe um sentimento de alívio por ter encontrado uma parceria como a Famasul. Na atual gestão, encontramos disposição para ouvir, compreender, ajudar e orientar. Sem isso, continuaríamos batendo de porta em porta, sem solução. Esse trabalho enriquece e justifica a atuação da federação.”
A homologação do acordo representa segurança jurídica para o campo, respeito aos direitos indígenas e um modelo de mediação institucional que pode servir de referência para outros conflitos fundiários no país.
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