Campo Grande (MS), Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Política Municipal

Papy articula consenso na Câmara para buscar saída legal ao impasse do IPTU em Campo Grande

Presidente não descarta sessão extraordinária, mas divergências entre vereadores e ausência de posição do Executivo dificultam definição

11/01/2026

14:00

DA REDAÇÃO

©ARQUIVO

O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), afirmou neste domingo (11) que vai intensificar, a partir desta segunda-feira (12), as articulações políticas para tentar construir um consenso entre os vereadores em torno de uma solução legal, regimental e constitucional para o impasse envolvendo o reajuste do IPTU 2026.

Segundo Papy, o objetivo é formular uma proposta que permita reduzir os valores cobrados do imposto, sem risco de judicialização ou nulidade.

“Estou trabalhando pela sessão extraordinária. Temos que definir o que será votado, respeitando as regras regimentais, legais e, sobretudo, constitucionais. Não podemos criar falsas expectativas na população”, afirmou.

Divergências internas travam decisão

Apesar da pressão popular e empresarial contra os aumentos — que, segundo moradores, ultrapassaram a inflação oficial de 5,32% —, o presidente da Casa reconheceu que ainda não existe consenso entre os parlamentares.

“Alguns vereadores defendem apenas a medida judicial, outros entendem que o município não pode ficar sem arrecadação, enquanto a oposição quer uma resposta mais dura, com suspensão do decreto. Esse consenso ainda não existe”, explicou.

As reuniões previstas para esta segunda-feira devem envolver:

  • Líderes de bancada

  • Integrantes da Comissão Especial do IPTU

  • Vereadores interessados no tema

Papy também cobra um posicionamento direto do Executivo Municipal, comandado pela prefeita Adriane Lopes.

“Amanhã teremos um panorama melhor. Desde o início, somos nós que estamos debatendo o assunto pela cidade e, até agora, a prefeita não veio falar com a Câmara”, declarou.

Pressão de entidades

Além do diálogo interno, o presidente da Câmara confirmou reuniões com entidades que vêm criticando os aumentos do imposto, como:

  • OAB-MS

  • Associação dos Advogados Independentes

  • ACICG (Associação Comercial e Industrial de Campo Grande)

  • FIEMS (Federação das Indústrias de MS)

Projetos em disputa

A mobilização ocorre em meio à atuação da Comissão Especial do IPTU, presidida pelo vereador Rafael Tavares (PL), que anunciou reunião com Papy para formalizar o pedido de sessão extraordinária destinada a derrubar o reajuste e retomar o desconto de 20% para pagamento à vista.

Dois projetos já tramitam na Câmara:

1️⃣ PL nº 12.213/2025 — Landmark Rios (PT)

Propõe o retorno do desconto de 20% no IPTU e na taxa de lixo para contribuintes adimplentes que quitarem à vista.

“O desconto estimula a adimplência, reduz a inadimplência e melhora a previsibilidade da arrecadação”, argumenta o vereador.

2️⃣ Decreto Legislativo — Luiza Ribeiro (PT)

Susta dispositivos do decreto da prefeita que alteraram a base de cálculo da taxa de lixo, baseada no novo PSEI (Perfil Socioeconômico Imobiliário).
A proposta, assinada também por Marquinhos Trad (PDT) e Jean Ferreira (PT), aponta extrapolação do poder regulamentar e falta de apresentação prévia do estudo técnico do PSEI-2026 à Câmara.

Prefeitura prorrogou vencimentos

Mesmo sem recuar nos descontos, a Prefeitura de Campo Grande prorrogou o início do pagamento do IPTU após recomendação do TCE-MS.

Principais mudanças:

  • Parcelamento: primeira parcela pode ser paga em qualquer mês do ano, sem juros

  • À vista: pagamento até 12 de fevereiro de 2026, com 10% de desconto

  • O percentual é menor que o dos anos anteriores, quando o abatimento chegava a 20%

Quem parcelar em 12 vezes e não pagar no início do ano terá de compensar pagando duas parcelas em algum mês para manter o calendário em dia.


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