Política / Internacional
Relatoria de Nelsinho Trad pode consolidar Campo Grande como sede da COP15 da ONU
Conferência que reúne 133 países deve movimentar mais de R$ 14 milhões na Capital; decisão final depende da tramitação do PDL 50/2026 no Senado
03/03/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A possível realização da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) em Campo Grande, entre os dias 23 e 29 de março de 2026, avança para etapa decisiva no Senado Federal. A validação do acordo internacional depende da análise do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 50/2026, cuja relatoria está sob responsabilidade do presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), senador Nelsinho Trad.
A aprovação do projeto formaliza o Brasil como país-sede do encontro, consolidando o Pantanal como cenário de debate ambiental global.
“O que está em jogo não é apenas a realização de um evento. É o posicionamento estratégico de Mato Grosso do Sul no cenário internacional”, afirmou o senador.
Segundo Nelsinho Trad, sediar a conferência reforça o protagonismo do Estado na agenda ambiental. “Estamos colocando o Pantanal e Campo Grande no centro de uma discussão global, mostrando que nosso Estado tem capacidade de liderar esse debate.”
A COP15 deve reunir mais de dois mil especialistas e cerca de três mil participantes ao longo da semana. O gasto médio diário de um visitante na Capital é estimado em R$ 684, o que pode gerar circulação direta superior a R$ 14 milhões em sete dias.
“Hotelaria, gastronomia, transporte e comércio terão impacto imediato”, destacou o senador.
O Governo de Mato Grosso do Sul anunciou investimento de R$ 10 milhões em infraestrutura para o evento. Já o custo estimado para o governo federal gira em torno de R$ 86 milhões, incluindo logística, segurança, estrutura técnica, tradução simultânea e apoio às delegações internacionais.
“São empregos temporários, fortalecimento do setor de serviços e visibilidade internacional”, acrescentou o presidente da CRE.
Criada em 1979, a Convenção sobre Espécies Migratórias é o único tratado global voltado exclusivamente à proteção de animais que atravessam fronteiras durante seu ciclo de vida. Atualmente, 132 países e a União Europeia integram o acordo.
A convenção lista aproximadamente 1.189 espécies migratórias, distribuídas entre:
962 aves
94 mamíferos terrestres
64 mamíferos aquáticos
58 peixes
10 répteis
1 inseto
Diversas dessas espécies utilizam rotas que passam pelo território brasileiro.
Diferentemente das conferências climáticas, a COP15 tem foco em rotas migratórias, habitats e cooperação transnacional, exigindo coordenação diplomática entre os países signatários.
Como relator da matéria no Plenário, Nelsinho Trad conduz a etapa que assegura respaldo jurídico ao compromisso internacional. “O Senado tem a responsabilidade de garantir estabilidade institucional aos acordos internacionais. O Brasil precisa participar dessas discussões com voz ativa”, afirmou.
A chamada “Blue Zone” será instalada no Bosque Expo, enquanto atividades paralelas ocorrerão no Bioparque Pantanal, na Casa do Homem Pantaneiro e no Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo.
O setor hoteleiro e o transporte aéreo já iniciaram planejamento para ampliação da capacidade de atendimento. A taxa média de ocupação da rede hoteleira da Capital, atualmente em torno de 54%, deve registrar crescimento significativo durante o período da conferência.
Para o senador, sediar a COP15 no Centro-Oeste reforça a imagem de equilíbrio entre preservação e desenvolvimento. “Defendemos geração de renda com responsabilidade ambiental. Essa é a mensagem que queremos levar ao mundo”, concluiu.
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