Política / Campo Grande
Presidente da Câmara não convoca sessão para barrar reajuste do IPTU e tensão aumenta em Campo Grande
Impasse entre vereadores e prefeitura amplia insatisfação popular diante da cobrança do imposto em 2026
11/01/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Silva Neto, o Papy (PSDB), não deve convocar sessão extraordinária nesta segunda-feira (12) para votar a suspensão do reajuste do IPTU 2026 e o retorno do desconto de 20%, percentual praticado historicamente por mais de cinco décadas. A decisão aumenta a pressão sobre os vereadores e amplia a insatisfação dos contribuintes diante da cobrança do imposto.
Na sexta-feira, o presidente da Comissão Especial do IPTU, Rafael Tavares (PL), havia anunciado que a Câmara convocaria uma sessão extraordinária para limitar o reajuste do tributo à inflação de 5,32% e restabelecer o desconto tradicional. A medida chegou a ser confirmada em entrevista coletiva e divulgada pelo próprio Legislativo.
No entanto, ao longo do dia, vereadores aliados da prefeita Adriane Lopes (PP) passaram a sustentar, nos bastidores, que a retomada do desconto seria inconstitucional, alegando que a Câmara não teria competência para promover a alteração. O argumento passou a ser adotado publicamente pelo presidente do Legislativo.
Em entrevista ao Campo Grande News, Papy, que está em viagem aos Estados Unidos, afirmou que a decisão sobre o recuo no IPTU estaria nas mãos da prefeita. “Extraordinária é uma opção que temos, mas estamos esperando a posição dela. Estão tentando achar um caminho para recuar. Importante que a prefeita voltou a dialogar”, declarou.
O presidente da Câmara também endossou o argumento técnico apresentado pela prefeitura de que qualquer mudança exigiria a reemissão dos carnês, o que poderia atrasar a arrecadação. “Há possibilidade de o município ficar até 60 dias sem recebimentos”, disse, citando dificuldades operacionais da administração.
Comparação com 2018 e reação política
Críticos da atual condução lembram que, em 2018, o então prefeito Marquinhos Trad (PDT) suspendeu um aumento considerado abusivo da taxa do lixo após pressão popular, enviando projeto à Câmara, sem prejuízo à arrecadação do município.
A decisão de não convocar a sessão extraordinária provocou reação de influenciadores, lideranças políticas e movimentos populares. O influenciador Bruno Ortiz publicou críticas nas redes sociais, afirmando que o reajuste foi aprovado em setembro do ano passado e que os vereadores não o contestaram à época.
O economista e pré-candidato ao governo do Estado, Eduardo Gomes (DC), também passou a explorar o tema. Ele esteve na Câmara, gravou vídeos e criticou parlamentares e a prefeita. “Rafael Tavares não tem interesse em saber se a Adriane Lopes paga IPTU de maneira irregular. Esse é o panorama geral”, afirmou em uma das gravações.
Pressão popular e mobilização
A vereadora Luiza Ribeiro (PT), que em gestões anteriores participou da elaboração de projeto para barrar aumentos excessivos, afirmou que a luta continua para suspender reajustes que, segundo ela, chegam a até 396% em alguns imóveis.
Já Rafael Tavares (PL) tem convocado a população, por meio de vídeos, para pressionar os vereadores nesta segunda-feira. O impasse, no entanto, persiste, já que a sessão extraordinária ainda não foi oficialmente convocada por Papy.
Com isso, o embate entre Câmara Municipal e Prefeitura de Campo Grande segue sem definição, ampliando o clima de instabilidade política e a insatisfação dos contribuintes diante do IPTU 2026.
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