Política / Justiça
Bolsonaro passa por audiência de custódia neste domingo; STF avalia legalidade da prisão preventiva e nova violação de tornozeleira
Ex-presidente participa por videoconferência da Superintendência da PF, onde permanece detido desde sábado
23/11/2025
08:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participará, ao meio-dia deste domingo (23), de audiência de custódia realizada por videoconferência direto da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde está preso preventivamente desde sábado (22). A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a PF apontar risco de fuga e a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica.
Bolsonaro foi detido depois que o sistema de monitoramento alertou para danos no equipamento, constatados pela equipe de escolta da Seap-DF. Em vídeo anexado aos autos, ele admite ter usado um ferro de solda para tentar abrir o dispositivo na noite de sexta-feira (21). O episódio levou Moraes a determinar a troca imediata da tornozeleira e a decretação da prisão preventiva.
A audiência serve para verificar se a prisão ocorreu dentro da legalidade e se os direitos fundamentais do detido foram respeitados. Mesmo quando a ordem parte diretamente do STF, a etapa é obrigatória segundo normas internacionais e nacionais de proteção ao preso.
Na decisão que embasou a prisão, Moraes destacou que uma vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em frente ao condomínio do ex-presidente poderia facilitar eventual fuga e representar ameaça à ordem pública. Com Bolsonaro já em prisão domiciliar desde agosto, a mobilização adicionou elementos considerados graves pela PF e pelo STF.
Bolsonaro permanece em sala especial na Superintendência da PF, onde, por determinação de Moraes, deve receber atendimento médico integral.
Qualquer visita — exceto de advogados e equipe médica — precisará de autorização prévia do STF. A concessão de prisão domiciliar humanitária, solicitada pela defesa na sexta-feira (21), foi negada neste sábado.
Os advogados de Bolsonaro anunciaram que irão recorrer da prisão preventiva e afirmam que a tornozeleira eletrônica foi imposta apenas para “causar humilhação” ao ex-presidente. Eles negam risco de fuga e classificam o episódio envolvendo o ferro de solda como exageradamente interpretado.
Moraes deu 24 horas para que a defesa se manifeste formalmente sobre o episódio da violação do equipamento.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado de 2022, incluindo organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
A Primeira Turma do STF rejeitou, na semana passada, os embargos de declaração apresentados por Bolsonaro e outros seis réus. Neste domingo (23), termina o prazo para apresentação dos últimos recursos. Caso eles sejam novamente rejeitados, as penas poderão começar a ser executadas nas próximas semanas.
Bolsonaro cumpria prisão domiciliar por descumprimento de medidas cautelares impostas no inquérito que investiga a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto ao governo de Donald Trump para pressionar o governo brasileiro e ministros do STF, em reação ao julgamento da trama golpista.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Lula sanciona Orçamento de 2026 com vetos a R$ 393 milhões usados para inflar emendas parlamentares
Leia Mais
Suspensão de vistos dos EUA não atinge turistas brasileiros e entra em vigor em 21 de janeiro
Leia Mais
Malafaia chama Damares de “linguaruda” após senadora citar igrejas em esquema de fraudes no INSS
Leia Mais
Deputado de MS propõe que trabalhador passe a pagar FGTS, INSS e Imposto de Renda diretamente
Municípios