Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Política / Redes

Levantamento aponta Flávio Bolsonaro como alvo principal em debate sobre Pix e tarifa dos EUA

Monitoramento da Palver indica que 81% das mensagens opinativas atribuem ao senador responsabilidade direta ou indireta pela crise

04/06/2026

16:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece como principal responsabilizado, em mensagens opinativas, por possíveis ameaças ao Pix e pela eventual imposição de novas tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O dado consta de levantamento da empresa de análise de dados Palver, que monitora mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp e Telegram.

Segundo o estudo, 81% das publicações opinativas analisadas atribuem ao senador responsabilidade direta ou indireta pelo episódio. O levantamento considera mensagens que mencionam o Pix associadas a referências a Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Donald Trump ou aos Estados Unidos.

A análise desconsidera conteúdos classificados como neutros, como links compartilhados sem comentários, disparos automáticos de clipping e reproduções simples de notícias sobre o tema.

O monitoramento foi feito entre 27 de maio e 2 de junho e está relacionado à viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, incluindo a reunião com Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, em 26 de maio.

Após o encontro, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a associar a aproximação entre o senador e o governo norte-americano a uma possível ameaça ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro. O debate ganhou força na segunda-feira, 1º de junho, quando surgiu uma nova ameaça de tarifa contra produtos brasileiros, cuja aplicação ainda dependeria de decisão final de Trump.

Nas redes sociais e em grupos de mensagens, apoiadores de Lula tentam impulsionar o termo “Tariflávio”, usado para ligar o senador à crise comercial. A movimentação também gerou avaliação negativa entre políticos do Centrão e até entre aliados de Flávio, que veem a possibilidade de novas tarifas como um desgaste para a pré-campanha presidencial do parlamentar.

Na terça-feira, 2 de junho, Flávio Bolsonaro afirmou ter enviado uma carta ao governo Trump pedindo que os Estados Unidos não apliquem tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, como sugerido por uma investigação comercial norte-americana.

No documento, endereçado ao secretário de Estado Marco Rubio, o senador afirma que o Brasil passa por um período de “grave deterioração fiscal e econômica” e que a adoção de novas tarifas poderia causar “sérios prejuízos ao povo brasileiro”.

O governo brasileiro, por sua vez, pretende manter as negociações com os Estados Unidos e avalia que ainda há possibilidade de evitar a aplicação das taxas recomendadas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos). Ao mesmo tempo, aliados do Planalto buscam ampliar o desgaste político de Flávio Bolsonaro, apontado como principal adversário de Lula na disputa presidencial de outubro.

A decisão desfavorável ao Brasil ocorre no mesmo contexto em que os Estados Unidos passaram a classificar as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, aumentando a pressão do governo republicano sobre a gestão brasileira.

De acordo com a Palver, a maior parte das mensagens que responsabilizam o senador acusa Flávio Bolsonaro e a família Bolsonaro de “traição à pátria” e de alinhamento a interesses estrangeiros. As publicações também descrevem a ofensiva norte-americana como um ataque a uma ferramenta considerada conquista da população brasileira.

O relatório aponta que esse tipo de discurso é semelhante ao tom adotado por Lula em manifestações públicas sobre o tema.

Entre as mensagens que defendem Flávio Bolsonaro, três linhas principais aparecem com mais frequência. A primeira classifica as acusações como desinformação ou manobra política da esquerda. A segunda nega que exista risco concreto ao Pix, afirmando que o sistema não será bloqueado nem prejudicado. A terceira sustenta que a atuação do senador nos Estados Unidos teve como foco o combate ao crime organizado.

Essa última abordagem também critica o governo Lula por reagir às medidas norte-americanas e, segundo os apoiadores do senador, usar o episódio para desgastar politicamente o pré-candidato do PL.

O levantamento da Palver mede o teor das mensagens que circulam em grupos públicos de WhatsApp e Telegram. A própria metodologia não representa uma pesquisa de opinião da população brasileira, pois não utiliza amostra representativa do eleitorado nem margem de erro. Portanto, os números não devem ser interpretados como prognóstico eleitoral.


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