Cultura / Sociedade
Américo Calheiros lança obra poética sobre sofrimento indígena em Mato Grosso do Sul
Livro “Suicígena” será apresentado na terça-feira e propõe reflexão sobre a urgência de políticas públicas para povos originários
05/06/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O poeta, escritor e teatrólogo Américo Calheiros lança, na próxima terça-feira (9), o livro “Suicígena”, obra poética que aborda o sofrimento vivido por populações indígenas e chama atenção para a necessidade de ampliar o debate público sobre saúde, cultura, território e direitos dos povos originários.
O lançamento será realizado a partir das 19 horas, na sede da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), em Campo Grande.
A obra nasceu a partir da inquietação do autor diante de dados sobre mortes por suicídio entre indígenas em Mato Grosso do Sul. Segundo o Relatório de Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, produzido pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Estado registrou, em 2022, média de 24 casos a cada 100 mil habitantes indígenas.
O índice é três vezes maior do que a taxa registrada na população brasileira em geral no mesmo período, de oito casos a cada 100 mil habitantes, conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Foi a partir desse contraste que Américo Calheiros decidiu transformar sua angústia em literatura. O título “Suicígena” é um neologismo criado pelo próprio autor, a partir da fusão parcial das palavras suicídio e indígena.
Segundo Calheiros, o livro reúne poemas que tratam não apenas da dor associada ao tema central, mas também de elementos simbólicos, sociais e culturais ligados aos povos indígenas. Esta é a primeira vez que o escritor se dedica diretamente a essa temática em sua produção literária.
Para o autor, o assunto precisa ocupar mais espaço na agenda social, educacional, cultural e política, não apenas em Mato Grosso do Sul, mas também em âmbito nacional e internacional.
A intenção, segundo Calheiros, é contribuir para que a realidade enfrentada por comunidades indígenas seja discutida com mais seriedade e resulte em políticas públicas mais eficientes.
“A sociedade mundial tem uma dívida incomensurável com os povos originários. Claro que as vozes indígenas já estão dizendo o que precisam e o que querem, só precisam, efetivamente, ser ouvidas. Se a minha poesia contribuir, que seja um pouco, com essa causa, fico feliz”, afirmou o escritor.
Com “Suicígena”, Américo Calheiros propõe uma reflexão sobre escuta, memória, pertencimento e responsabilidade coletiva. A obra também reforça a importância de reconhecer o protagonismo indígena no debate sobre os próprios direitos, desafios e caminhos possíveis.
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