Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Política / Religião

Messias divide trio com Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus e diz que evento não é lugar de comício

Advogado-geral da União afirmou ter ido ao ato a pedido de Lula e comentou presença do senador no evento evangélico em São Paulo

04/06/2026

11:15

DA REDAÇÃO

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A 34ª Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira, 4 de junho, em São Paulo, reuniu no mesmo trio elétrico o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL, pré-candidato à Presidência da República. A presença dos dois chamou atenção pelo contraste político entre o ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o percurso pela Avenida Tiradentes, entre a região da Luz e a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, Messias ficou posicionado em uma ponta do trio, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu na outra. O encontro ocorreu em meio ao acirramento político nacional e às movimentações para a eleição presidencial de 2026.

Questionado pelo Metrópoles sobre a presença de Flávio Bolsonaro no ato religioso, Jorge Messias respondeu com uma referência bíblica. “Na mesa de Jesus, tem lugar para Thiago, tem lugar para Pedro, tem lugar para Tomé, tem lugar até para Judas. Na mesa de Jesus, o único perfeito é Deus”, afirmou.

O advogado-geral da União também disse que participou da marcha a pedido do presidente Lula. Segundo ele, o chefe do Executivo solicitou que levasse uma mensagem de respeito aos fiéis e reforçou que o evento deveria manter caráter religioso.

“Na mesa de Jesus, tem lugar para Thiago, tem lugar para Pedro, tem lugar para Tomé, tem lugar até para Judas. Na mesa de Jesus, o único perfeito é Deus”

“O presidente me pediu para vir trazer o abraço dele a todos os irmãos e as irmãs em Cristo, dizer do amor dele por esse dia, para o povo de Deus. E ele me pediu uma coisa: ‘Messias, vá à marcha para louvar e adorar. A marcha não é lugar de comício, a marcha é lugar de louvor e adoração a Deus’. E é isso que eu estou fazendo, louvando e adorando ao nosso Deus”, declarou.

A participação de Messias ocorre dias depois de Lula confirmar que pretende indicá-lo novamente para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). O nome do advogado-geral da União já havia sido rejeitado pelo Senado Federal em uma primeira tentativa, episódio considerado uma derrota expressiva para o governo.

A rejeição anterior de Messias foi comemorada por integrantes da oposição, entre eles Flávio Bolsonaro. Por isso, a presença dos dois no mesmo evento ganhou leitura política, ainda que o advogado-geral tenha insistido que a marcha não deveria ser tratada como palanque eleitoral.

Jorge Messias já havia participado de outra edição da Marcha para Jesus. Na ocasião, foi vaiado por parte do público ao citar o nome do presidente Lula. Desta vez, o ministro buscou reforçar uma mensagem de conciliação religiosa e de respeito ao caráter espiritual do evento.

A marcha também contou com a presença do ministro André Mendonça, do STF, indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro. Durante o evento, ele fez uma oração. Mendonça chegou a defender a indicação de Messias ao Supremo, apesar das diferenças políticas entre os grupos aos quais ambos são associados.

Também participaram da marcha o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, além dos pré-candidatos ao Senado Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL.

Para Flávio Bolsonaro, o evento teve peso político relevante. Pesquisas eleitorais têm indicado boa inserção do senador entre eleitores evangélicos, segmento considerado estratégico para a disputa presidencial. A presença na marcha reforça a tentativa de aproximação com esse público.

A agenda também ocorre em um momento de desgaste para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, após a divulgação de informações sobre sua ligação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no escândalo envolvendo o Banco Master.

Na prática, a Marcha para Jesus colocou lado a lado representantes de campos políticos opostos em um dos maiores eventos evangélicos do país. Para Messias, a presença teve caráter religioso e institucional. Para Flávio, o ato serviu como vitrine diante de um público considerado central nas articulações eleitorais de 2026.


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