Justiça / Investigação
Defesa de Vorcaro tenta destravar nova delação no STF
Advogados buscam ajustar proposta antes de avaliação da PF e da PGR, após primeira tentativa ser rejeitada
05/06/2026
06:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro tenta avançar com uma nova proposta de colaboração premiada no âmbito do caso que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia dos advogados é apresentar um material mais consistente e alinhado aos critérios esperados pelo relator do processo, o ministro André Mendonça, para ampliar as chances de homologação.
A nova proposta foi entregue na segunda-feira (1º de junho) à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O movimento ocorre depois de uma primeira tentativa de delação ter sido rejeitada, em meio a divergências entre a antiga defesa, a PF e o gabinete do relator.
À frente da negociação está o advogado Sérgio Leonardo, que assumiu a defesa de Vorcaro após a saída de José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca. Segundo informações divulgadas sobre a negociação, a nova equipe jurídica tem mantido o ministro André Mendonça informado sobre os passos do processo e sobre o conteúdo encaminhado aos investigadores.
A aproximação com o relator tem um objetivo claro: evitar novo desgaste e adequar a colaboração ao formato considerado aceitável pelo STF. Na avaliação da defesa, uma proposta construída com mais diálogo institucional pode reduzir riscos de rejeição e facilitar a análise do material pelas autoridades responsáveis.
Na semana passada, Mendonça autorizou os advogados a terem acesso ampliado a Daniel Vorcaro na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, das 9h às 17h. A autorização vale até 12 de junho e foi concedida para permitir que a defesa organizasse a nova proposta de delação.
Mesmo com prazo até o dia 12, os advogados decidiram entregar o material antes. A expectativa agora é que a PF e a PGR respondam sobre a proposta ainda dentro do período de acesso ampliado ao banqueiro. Com isso, a defesa teria tempo para discutir eventuais ajustes diretamente com Vorcaro, caso os investigadores peçam complementações.
Interlocutores ligados ao banqueiro afirmam que a nova versão da colaboração está reformulada, ampliada e aprofundada em relação ao material anterior. A proposta, segundo pessoas que tiveram acesso ao conteúdo, traria novas versões envolvendo lideranças de partidos do chamado Centrão.
Entre os partidos citados estariam o PP, ligado ao senador Ciro Nogueira, o União Brasil, de Davi Alcolumbre, e o PSD, de Gilberto Kassab. A menção a esses nomes e legendas, porém, ainda depende da avaliação formal dos órgãos responsáveis e não significa, por si só, confirmação de irregularidade.
O caso segue em fase sensível porque envolve negociação de colaboração premiada, análise de credibilidade das informações e possível impacto político. Para que a delação produza efeitos, a proposta precisa ser aceita pelos investigadores e homologada pelo STF, etapa em que o relator avalia a regularidade do acordo.
Na prática, a defesa tenta transformar a segunda tentativa de colaboração em um instrumento mais robusto para a estratégia jurídica de Daniel Vorcaro. Já para a PF, a PGR e o Supremo, o ponto central será verificar se o material apresentado traz fatos novos, provas ou caminhos concretos para aprofundar as investigações.
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