Campo Grande (MS), Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

Segurança / Internacional

EUA passam a tratar PCC e CV como organizações terroristas

Nova classificação amplia sanções, investigações e punições contra as duas maiores facções criminosas do Brasil

05/06/2026

06:45

DA REDAÇÃO

O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) passam a ser oficialmente enquadrados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras a partir desta sexta-feira (5 de junho). A decisão amplia o alcance jurídico das autoridades norte-americanas contra integrantes, financiadores, colaboradores e empresas que tenham relação material ou financeira com as facções brasileiras.

A medida foi adotada pelo governo de Donald Trump e insere as duas organizações criminosas na estrutura legal usada por Washington para enfrentar grupos terroristas internacionais, cartéis de drogas e redes armadas transnacionais. Na prática, o governo norte-americano passa a tratar PCC e CV como ameaças que extrapolam o crime comum e afetam interesses de segurança nacional, política externa e economia dos Estados Unidos.

A designação coloca as facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, conhecida pela sigla FTO, uma das classificações mais duras previstas na legislação norte-americana. Segundo documento do Departamento de Estado dos EUA, as organizações teriam cometido, tentado cometer, oferecido risco significativo ou participado de treinamento para atos considerados terroristas que poderiam ameaçar cidadãos norte-americanos ou interesses estratégicos do país.

Antes dessa nova etapa, PCC e CV já haviam sido enquadrados como Terroristas Globais Especialmente Designados, categoria que permite sanções financeiras por meio do Ofac, órgão ligado ao Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Esse enquadramento possibilita o bloqueio de bens sob jurisdição norte-americana e proíbe transações envolvendo cidadãos e empresas dos EUA.

Com a nova classificação, as consequências deixam de se limitar ao campo financeiro. A legislação dos Estados Unidos passa a permitir responsabilização criminal de pessoas físicas e jurídicas que forneçam apoio material às facções. Esse apoio pode envolver financiamento, transporte, logística, treinamento, assistência operacional, intermediação de serviços ou qualquer outro tipo de colaboração considerada relevante para a manutenção das atividades criminosas.

A mudança também amplia a base legal para atuação de órgãos federais norte-americanos, como o FBI e o Departamento de Justiça. Com o novo enquadramento, investigações envolvendo PCC e CV podem passar a tramitar sob instrumentos usados em casos de terrorismo, o que aumenta o peso jurídico de apurações relacionadas a lavagem de dinheiro, tráfico internacional, redes de apoio e movimentação de recursos.

Fontes ligadas ao Departamento de Estado indicam que pessoas e empresas, dentro ou fora dos Estados Unidos, poderão ser alvo de sanções, processos criminais e medidas migratórias se mantiverem vínculos financeiros ou materiais com integrantes das facções. As consequências podem atingir estrangeiros, residentes permanentes e até cidadãos norte-americanos, dependendo do grau de envolvimento identificado pelas autoridades.

A decisão também deve elevar a pressão sobre bancos, corretoras, empresas de transporte, plataformas financeiras e instituições internacionais. Com o novo status das facções, setores privados tendem a reforçar mecanismos de controle para evitar qualquer relação direta ou indireta com nomes, empresas ou operações associadas ao PCC e ao CV.

A inclusão das facções brasileiras nessa categoria faz parte de uma estratégia mais ampla dos Estados Unidos para a América Latina. A política norte-americana passou a aproximar cartéis de drogas e organizações criminosas transnacionais do mesmo tratamento aplicado a grupos terroristas internacionais, dentro de uma lógica que conecta segurança pública, narcotráfico, fronteiras, migração, energia e geopolítica.

O movimento também consolida o Hemisfério Ocidental como área prioritária da política de contraterrorismo norte-americana para 2026. Para o Brasil, a medida pode gerar reflexos diplomáticos, financeiros e policiais, especialmente em investigações com ramificações internacionais ou movimentações que passem pelo sistema financeiro dos Estados Unidos.

Na prática, a nova classificação endurece o cerco contra as duas maiores facções criminosas brasileiras fora do território nacional. O efeito mais imediato será o aumento do risco jurídico para qualquer pessoa ou empresa que atue como ponte financeira, logística ou operacional para o PCC e o CV, além de ampliar a cooperação e a pressão internacional sobre redes ligadas ao crime organizado.


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