Campo Grande (MS), Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

Cidades / Patrimônio

Governo assume projeto da Feira Central e tenta destravar reforma de R$ 40 milhões

Agesul envia novo anteprojeto ao Iphan para viabilizar obras na Feira Central de Campo Grande e evitar perda de recursos

05/06/2026

09:00

DA REDAÇÃO

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A reforma da Feira Central de Campo Grande ganhou um novo encaminhamento após sucessivas tentativas frustradas de aprovação. A Agesul (Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) assumiu a elaboração de uma nova proposta para modernizar o espaço e já protocolou um anteprojeto no Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O objetivo é liberar uma obra estimada em R$ 40 milhões, recurso que pode ser perdido caso não haja aprovação técnica.

O impasse se arrasta mesmo após a feira completar 100 anos em 2025. A expectativa de marcar o centenário com a entrega da reforma não se confirmou, porque pelo menos três projetos arquitetônicos anteriores acabaram rejeitados pelo Iphan. As propostas apresentadas pela prefeitura foram consideradas incompletas ou incompatíveis com as exigências de intervenção em uma área tombada, ligada ao antigo complexo ferroviário e residencial onde o prédio está inserido.

Com a desistência da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) de seguir à frente das tratativas, a missão passou para a Agesul. Em nota, o órgão informou que já encaminhou ao Iphan um novo desenho preliminar, construído para conciliar interesses da Associação da Feira, da Prefeitura de Campo Grande e do Governo do Estado.

Segundo a agência, o material enviado ainda é um anteprojeto, ou seja, uma proposta inicial que depende de análise prévia do instituto. Se houver sinal verde, a próxima etapa será a elaboração dos projetos executivos, com apoio técnico à associação responsável pela feira, para que a futura contratação da obra siga todas as normas exigidas.

O valor reservado para a intervenção está mantido. Do total de R$ 40 milhões, R$ 15 milhões são financiados pela Caixa Econômica Federal à prefeitura, enquanto outros R$ 25 milhões serão aportados pelo Governo de Mato Grosso do Sul. A preocupação, no entanto, é com o passar do tempo e a corrosão do orçamento diante do aumento dos custos da construção civil.

A presidente da Afecetur (Associação da Feira Central, Cultural e Turística de Campo Grande), Alvira Appel, afirmou que o novo plano foi entregue ao Iphan há cerca de 15 dias e que os feirantes aguardam uma resposta rápida. Ela lembrou que o primeiro projeto foi apresentado ainda em 2018 e custou aproximadamente R$ 1,5 milhão.

Segundo Alvira, a demora tem impacto direto sobre a viabilidade econômica da obra. Com materiais e mão de obra ficando mais caros ao longo dos anos, o temor é que o valor originalmente assegurado perca força de execução. “Quanto mais demora, mais a gente vai perdendo lastro”, resumiu.

Nem a associação nem a Agesul detalharam o conteúdo do novo anteprojeto. A única informação adiantada pela dirigente é que se trata de um conceito considerado “viável aos negócios”, pensado para melhorar o conforto tanto dos trabalhadores quanto do público que frequenta o espaço.

A dirigente também destacou a fragilidade da feira diante da necessidade de investimentos mais robustos. Segundo ela, os feirantes receberam com entusiasmo a entrada da Agesul no processo e esperam que os órgãos envolvidos deem celeridade à análise. A partir da manifestação do Iphan, as linhas definitivas do projeto deverão ser desenhadas.

Hoje, a estrutura da feira enfrenta uma série de limitações. Entre os problemas apontados estão cozinhas improvisadas nas sobarias, dificuldade para comercialização de produtos mais sensíveis ao calor, como hortaliças, e falta de áreas mais adequadas para exposição de mercadorias. Para os comerciantes, essas deficiências prejudicam as vendas e afetam as condições de trabalho.

A associação também argumenta que a melhoria da estrutura é necessária para garantir ambiente mais saudável aos funcionários e condições mais competitivas aos lojistas. Embora funcione como OSC (Organização da Sociedade Civil), a feira arca com impostos e obrigações legais, o que reforça, na visão dos feirantes, a necessidade de retorno em infraestrutura.

Além da importância econômica, a Feira Central é um dos espaços mais tradicionais e visitados de Campo Grande. A gastronomia virou o principal atrativo do local, com destaque para sobá, espetinho, pastel e peixe, que atraem moradores e turistas ao longo do mês.

Estimativas da Afecetur e do Sebrae/MS apontam que entre 50 mil e 60 mil pessoas passam mensalmente pela feira. Em períodos de festivais e eventos especiais, o fluxo costuma ser ainda maior, reforçando o peso cultural, turístico e comercial do espaço para a cidade.

Na prática, o avanço do novo projeto pode definir se a Feira Central finalmente sairá do papel com uma reforma ampla ou continuará esbarrando em entraves técnicos. Para feirantes, comerciantes e frequentadores, a expectativa agora está concentrada na resposta do Iphan, que pode destravar um investimento aguardado há anos.


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