Política / Justiça
STF reativa processo derivado da Operação Lama Asfáltica em Mato Grosso do Sul
Decisão do ministro Flávio Dino reconhece a imprescritibilidade do enriquecimento ilícito e determina retomada de ação civil pública contra ex-servidores estaduais
03/11/2025
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a reativação de um processo derivado da Operação Lama Asfáltica, ao acatar recurso do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A decisão, proferida pelo ministro Flávio Dino, reconhece que o enriquecimento ilícito e o consequente ressarcimento ao erário público são imprescritíveis quando há prova de dolo — ou seja, intenção clara de obter vantagem indevida.
Com isso, a Corte Suprema reverteu uma decisão anterior da Justiça de primeira instância que havia extinguido a ação com base na tese de prescrição. O caso envolve dois ex-servidores da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) e da Secretaria de Infraestrutura do Estado, investigados por evolução patrimonial incompatível com suas rendas declaradas entre 2009 e 2015.
Segundo o voto do ministro Flávio Dino, o arquivamento do processo em razão da prescrição foi indevido, uma vez que, havendo dolo comprovado, a Constituição Federal prevê a imprescritibilidade das ações de ressarcimento ao erário.
“A extinção do processo pelo juízo de origem em razão da prescrição da pretensão sancionatória foi indevida”, registrou o ministro.
Com a decisão, o processo foi remetido no dia 24 de outubro ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que deverá dar prosseguimento à ação civil pública movida pelo MPMS.
As investigações conduzidas pelo Ministério Público apontam que, no período entre 2009 e 2015, os dois ex-servidores acumularam patrimônio muito superior à sua capacidade financeira declarada, incluindo a compra de imóveis e fazendas avaliadas em mais de R$ 3 milhões, além de depósitos bancários de origem não comprovada.
A apuração integra o amplo conjunto de ações da Operação Lama Asfáltica, que investigou corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em obras de infraestrutura executadas no Estado durante gestões anteriores.
Com a reabertura do processo, caberá agora à Justiça Estadual analisar novamente as provas apresentadas pelo MPMS e as alegações das defesas. Caso a ação seja julgada procedente, os réus poderão ser condenados com base na Lei de Improbidade Administrativa, o que inclui:
Perda dos bens obtidos ilicitamente;
Ressarcimento integral ao erário;
Suspensão dos direitos políticos;
Proibição de contratar com o poder público.
A decisão reforça a posição do STF de que o combate à corrupção e à improbidade administrativa deve prevalecer sobre argumentos meramente formais, sobretudo quando comprovada a intenção de causar prejuízo ao patrimônio público.
Deflagrada em 2015, a Operação Lama Asfáltica é considerada a maior investigação sobre corrupção em Mato Grosso do Sul. Ela apurou fraudes em licitações, desvio de recursos públicos e enriquecimento ilícito envolvendo empresários, ex-secretários e ex-gestores estaduais. Desde então, vários desdobramentos foram abertos — alguns ainda em curso, outros arquivados ou em fase de execução de sentença.
A decisão do STF, ao reconhecer a imprescritibilidade do enriquecimento ilícito, pode abrir precedente para a reativação de outros processos suspensos ou extintos sob a mesma justificativa de prescrição.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Aeroporto de Campo Grande vai operar com três pontes de embarque a partir de quarta-feira
Leia Mais
Juiz mantém Bernal preso e rejeita pedido de prisão domiciliar em Campo Grande
Leia Mais
Paulo Duarte cobra placa com nome oficial do aeroporto de Campo Grande
Leia Mais
Morre Oscar Schmidt, lenda do basquete, aos 68 anos de idade
Municípios