Política / Câmara Federal
Hugo Motta propõe voto distrital misto para frear avanço do crime organizado no Congresso
Presidente da Câmara alerta para risco de deputados financiados por facções e promete colocar o tema em debate para 2030
01/11/2025
09:30
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta sexta-feira (31) que vai liderar um movimento para implantar o voto distrital misto nas eleições de 2030, com o objetivo de reduzir a influência do crime organizado no financiamento de campanhas eleitorais.
Em entrevista à GloboNews, Motta alertou que o atual modelo proporcional facilita o ingresso de candidatos financiados por facções criminosas que atuam em comunidades e dominam territórios.
“Se não mudarmos o sistema, teremos parlamentares sendo eleitos com dinheiro do crime. Essas organizações têm acesso a recursos ilícitos e estão interferindo diretamente nas eleições”, declarou.
Hugo Motta afirmou que o voto distrital misto — sistema adotado em países como Alemanha e Japão — ajudaria a blindar o Parlamento de interesses criminosos.
“O crime organizado se infiltrou em várias camadas da sociedade. É natural que tente camuflar seus interesses também na política. Se nada for feito, corremos o risco de termos um presidente da Câmara ou do Senado financiado por facções”, alertou.
O deputado ressaltou que esperou o fim do prazo legal de um ano antes das eleições de 2026 para iniciar o debate, garantindo que a proposta não terá efeito imediato e será discutida com foco em 2030.
“A legislação é clara: mudanças no sistema eleitoral só valem se aprovadas até um ano antes da eleição. Eu quis deixar claro que essa discussão não é para 2026”, explicou.
Pelo modelo defendido por Motta, o país seria dividido em distritos eleitorais, e metade das cadeiras da Câmara seria ocupada pelos candidatos mais votados em cada distrito.
A outra metade continuaria a ser preenchida pelo sistema proporcional, no qual os partidos indicam listas de candidatos, e as cadeiras são distribuídas conforme o número de votos recebidos pela legenda.
Esse formato busca equilibrar a representação regional direta com a força partidária, além de reduzir custos de campanha e facilitar a fiscalização de doações.
O presidente da Câmara também mencionou o voto em lista fechada como alternativa, mas afirmou que o modelo distrital misto tem maior apoio entre os parlamentares, os principais partidos e entidades da sociedade civil.
Durante a entrevista, Motta defendeu uma reforma política estrutural aliada a ações firmes contra o crime organizado, destacando projetos já aprovados pela Câmara que reforçam o combate à lavagem de dinheiro, o endurecimento de penas e o rastreamento de recursos ilícitos.
“A política precisa ser preservada do financiamento criminoso. Do contrário, corremos o risco de ver o Estado brasileiro sendo capturado por facções”, concluiu o parlamentar.
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