Política / Justiça
Bolsonaro declara “paixão” por Trump, nega articulação de Eduardo sobre tarifa e diz que poderia intervir se tivesse passaporte
Ex-presidente quer “liberdade” para conversar com o republicano sobre sobretaxa de 50%, mas afirma não ter envolvimento com medida anunciada pelos EUA
15/07/2025
20:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (15) que tem “paixão por Donald Trump” e que gostaria de conversar com o presidente dos Estados Unidos sobre a tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros, mas alegou que está impedido de atuar por não ter passaporte. Réu no STF (Supremo Tribunal Federal) no caso da trama golpista, Bolsonaro está com o documento retido por ordem judicial.
Em entrevista ao site Poder360, o ex-presidente também negou qualquer envolvimento — seu ou do filho Eduardo Bolsonaro (PL-SP) — na articulação da medida. Eduardo, deputado federal licenciado, está nos Estados Unidos desde março mobilizando setores conservadores para que o governo norte-americano pressione o Brasil politicamente. Ele tem vinculado a negociação sobre a tarifa à concessão de “anistia ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos atos golpistas de 2022.
"O que passa na cabeça do Trump, não sei, ele é imprevisível. Mas gosto dele, sou apaixonado por ele, pelo povo americano, pela política americana", declarou Bolsonaro.
Durante a entrevista, Bolsonaro citou a carta enviada por Trump ao presidente Lula (PT), em que o republicano classificou o julgamento do brasileiro pelo STF como uma “vergonha internacional” e uma “caça às bruxas”. O ex-presidente afirmou que Trump o tratava “como um irmão” e relembrou que, em seu governo, conseguiu evitar uma sobretaxa sobre o aço brasileiro após diálogo direto com o republicano.
“Parece até que estávamos namorando”, disse Bolsonaro sobre a relação com Trump.
Apesar de dizer que não interfere nas decisões do governo americano, Bolsonaro demonstrou interesse em intervir na atual crise tarifária:
“Essa taxa de 50% pode ser diminuída. Acho que tenho poder de resolver esse assunto. Mas tenho que ter liberdade para conversar com Trump. No momento, nem passaporte eu tenho.”
O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos em agenda paralela de articulação política, em que tenta vincular a eliminação da tarifa a um movimento internacional contra o que chama de “perseguição política ao seu pai”. Eduardo já criticou publicamente Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, por tentar mediar o impacto econômico da medida junto a empresários, chamando a postura de “subserviência às elites”.
Trump anunciou tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, válida a partir de 1º de agosto.
A medida foi justificada como resposta ao “autoritarismo judicial” do STF.
Lula classificou a tarifa como retaliação política, e o governo brasileiro busca resposta via OMC.
O governador Tarcísio de Freitas sugeriu, nos bastidores, a devolução do passaporte de Bolsonaro, mas a proposta foi mal recebida por ministros do STF.
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