Política / Justiça
Gabinetes da base de Tarcísio na Alesp empregaram parentes e aliados de prefeito investigado pela PF
Apurações sobre corrupção em São Bernardo do Campo envolvem nomeações de familiares e assessores de Marcelo Lima em gabinetes de Carla Morando (PSDB) e Rodrigo Moraes (PL)
29/08/2025
15:15
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A investigação da Polícia Federal sobre um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro em São Bernardo do Campo alcançou gabinetes de deputados estaduais aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Documentos e mensagens revelam que familiares e aliados do prefeito afastado Marcelo Lima (Podemos) foram nomeados para cargos estratégicos em gabinetes da base governista.
No dia 14 de agosto, quando a PF deflagrou a operação que teve Marcelo Lima como alvo, a filha mais velha dele, Larissa Souza, foi nomeada assessora no gabinete da deputada estadual Carla Morando (PSDB), com salário bruto de R$ 10,2 mil.
A Alesp também abrigou em sua folha de pagamento:
Rosângela Lima, esposa do prefeito afastado;
Paulo Iran, apontado como principal operador do esquema;
Roque Araújo Neto, suspeito de receber R$ 390 mil em propina.
Larissa e Rosângela atuaram em gabinetes de Carla Morando e do deputado Rodrigo Moraes (PL), ambos assíduos nas agendas do governador Tarcísio e figuras frequentes ao lado dele em redes sociais.
A assessoria de Carla Morando afirmou que a contratação de Larissa foi “dentro dos padrões legais” e que a funcionária “cumpre regularmente sua carga horária, sem ter conduta questionada”.
Já Roque Neto foi exonerado do gabinete de Carla no dia seguinte à operação da PF. A deputada alega que tomou a decisão assim que soube da investigação.
Rodrigo Moraes também exonerou Paulo Iran em 15 de agosto e declarou que as contratações seguiram os trâmites administrativos, ressaltando que os assessores atuavam em funções externas no ABC paulista.
O governo de São Paulo afirmou, em nota, que “não cabe ao Executivo interferência na nomeação de servidores escolhidos para gabinetes de deputados eleitos”.
Carla Morando é esposa do ex-prefeito Orlando Morando, atual secretário de Segurança Urbana da gestão Ricardo Nunes (MDB) na capital. Lima foi vice de Orlando entre 2017 e 2022 e, em 2024, recebeu apoio do casal durante sua campanha à prefeitura.
Mensagens apreendidas pela PF indicam que o próprio Marcelo Lima negociava cargos para aliados na Alesp. Uma das conversas mostra ele orientando Paulo Iran a procurar o gabinete de Moraes, por meio do assessor José Roberto Venancio de Souza, conhecido como Roberto Frajola, hoje vereador pelo PP em Ilha Comprida.
A investigação começou em julho de 2025, após a PF encontrar, por acaso, R$ 14 milhões em espécie (reais e dólares) na casa de Paulo Iran.
Segundo a denúncia, Iran custeava despesas pessoais da família de Lima, incluindo mensalidades da faculdade de medicina da filha mais nova do prefeito, Gabriele Fernandes. Planilhas obtidas pela PF mostram transferências identificadas com as iniciais “ML”, atribuídas a Marcelo Lima.
A esposa de Iran, Karina Luz de Queiroz, também foi apontada como peça do esquema. Assessora da Secretaria de Serviços Urbanos de São Bernardo entre 2021 e 2024, Karina teria tido sua conta usada em movimentações financeiras.
Marcelo Lima e os demais investigados respondem por suspeitas de fraude em contratos, recebimento de propina e lavagem de dinheiro. O caso envolve ainda a influência política de grupos locais sobre a estrutura legislativa estadual e deve continuar avançando no STF e na Justiça Federal de São Paulo.
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