Campo Grande (MS), Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Economia / Indústria

Petrobras mira até 70% da demanda nacional de fertilizantes com retomada da UFN-III

Fábrica de Três Lagoas receberá mais de R$ 5 bilhões e deve produzir ureia e amônia a partir de 2028 ou 2029

25/06/2026

10:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, a UFN-III, em Três Lagoas, coloca Mato Grosso do Sul em posição estratégica nos planos da Petrobras para ampliar a produção nacional de fertilizantes. Nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026, a presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a companhia estuda elevar sua participação no abastecimento brasileiro de fertilizantes nitrogenados para até 70% da demanda do país nos próximos anos.

A declaração foi feita durante a cerimônia de assinatura dos contratos para retomada da fábrica, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O empreendimento, considerado a maior unidade do setor na América Latina, receberá mais de R$ 5 bilhões em investimentos do Novo PAC e tem previsão de operação comercial entre 2028 e 2029.

Atualmente, segundo a Petrobras, a companhia responde por cerca de 20% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. Com a conclusão da UFN-III, esse percentual deve subir para aproximadamente 35%. A partir daí, a estatal pretende estudar novos caminhos para ampliar essa fatia.

“Hoje produzimos cerca de 20% da demanda nacional de fertilizantes nitrogenados. Com a UFN-III, alcançaremos cerca de 35% da demanda nacional. Portanto, o nosso objetivo para este quinquênio é estudar como podemos transformar esses 35% em 70%”, afirmou Magda Chambriard.

A presidente da estatal, no entanto, fez questão de ponderar que a ampliação não deve ser tratada como promessa imediata. Segundo ela, a meta depende de estudos, viabilidade econômica, novos investimentos e estruturação de uma cadeia produtiva capaz de sustentar o crescimento.

“Quero deixar claro que isso não é uma promessa. É um campo de estudo. Estamos falando de um desafio enorme, de investimentos em larga escala e de toda uma cadeia de negócios. Mas tudo isso precisa ser lucrativo, porque, caso contrário, não se sustenta”, declarou.

A UFN-III é peça central nesse planejamento. Quando estiver em funcionamento, a fábrica terá capacidade para produzir cerca de 3,6 mil toneladas de ureia granulada por dia e 2,2 mil toneladas diárias de amônia. A produção deve atender principalmente Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo, região que concentra aproximadamente 40% da demanda brasileira por ureia.

A retomada da unidade também está ligada à discussão sobre segurança no abastecimento. O Brasil ainda depende fortemente de fertilizantes importados, insumos essenciais para o agronegócio. Para a Petrobras, ampliar a produção interna reduz a exposição do país às oscilações do mercado internacional e fortalece a cadeia agrícola nacional.

A implantação da fábrica começou em 2011. Antes da paralisação, no fim de 2014, a obra havia alcançado cerca de 81% de execução. Após anos parada, a unidade precisará passar por uma revisão técnica completa antes da retomada plena dos serviços.

Segundo Magda Chambriard, válvulas, equipamentos, torres, sistemas de isolamento térmico e outros componentes instalados no canteiro serão inspecionados. A avaliação é necessária para identificar o que poderá ser aproveitado, recuperado ou substituído depois de mais de uma década de interrupção.

A previsão oficial da Petrobras é concluir o empreendimento entre 2028 e 2029, embora a presidente da estatal tenha afirmado que pretende trabalhar para antecipar o cronograma. A retomada efetiva das obras deve ocorrer no segundo semestre de 2026.

Além do impacto industrial, a obra deve gerar aproximadamente 8 mil empregos diretos e indiretos durante a fase de construção. Para preparar mão de obra local, a Petrobras anunciou a abertura de 1,4 mil vagas em cursos de qualificação profissional aprovados pela diretoria da companhia.

A formação será feita em parceria com o Sesi, o Senai e institutos federais. A intenção é qualificar trabalhadores para atender à demanda criada pela retomada da fábrica em Três Lagoas, especialmente em áreas técnicas ligadas à construção, montagem, operação e manutenção industrial.

A estatal também informou que adotou uma nova estratégia para contratar os serviços de conclusão da unidade. Em vez de concentrar as obras em poucos grandes contratos, a UFN-III foi dividida em 11 lotes. Segundo a companhia, esse modelo gerou economia de R$ 629 milhões em relação ao orçamento inicialmente estimado.

De acordo com Magda Chambriard, a mesma lógica já havia sido aplicada na Refinaria Abreu e Lima, a Renest, em Pernambuco, onde a Petrobras afirma ter economizado cerca de R$ 1 bilhão.

Durante o evento, a presidente da companhia também apresentou dados gerais da estatal. Segundo ela, a Petrobras investiu R$ 26,8 bilhões no Brasil apenas no primeiro trimestre de 2026, valor 25,6% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.

No mesmo intervalo, a empresa recolheu R$ 72,4 bilhões em tributos para os cofres federal, estaduais e municipais. Magda Chambriard afirmou ainda que a companhia responde por cerca de 7% de toda a arrecadação brasileira e fornece 31% da energia primária consumida no país.

Na área de petróleo, a produção da Petrobras cresceu 13% em relação a dezembro de 2025 e se aproxima de 3 milhões de barris por dia. Considerando toda a produção nacional, o crescimento foi de 16% na comparação entre a média de 2025 e o primeiro trimestre deste ano.

Além da retomada da UFN-III, a estatal mantém cinco projetos socioambientais em Mato Grosso do Sul, com investimentos previstos de R$ 27 milhões até 2030. Em Três Lagoas, o Centro de Referência Esportiva já beneficiou diretamente mais de 8 mil jovens desde 2014.

Outro projeto citado é o Gerando o Futuro, voltado à qualificação profissional e ao desenvolvimento econômico de cerca de 2,6 mil jovens e adultos. No Pantanal, a Petrobras apoia ações de gestão ambiental na Terra Indígena Kadiwéu, com iniciativas de preservação da biodiversidade, prevenção de incêndios florestais e capacitação de brigadistas.

Com a retomada da fábrica, Três Lagoas volta a ocupar papel central na política nacional de fertilizantes. Para Mato Grosso do Sul, o projeto combina investimento industrial, geração de empregos, qualificação profissional e maior integração com uma cadeia produtiva essencial para o agronegócio brasileiro.


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