Política / Governo
Jaques Wagner se afasta da liderança do governo no Senado após operação da PF
Senador foi alvo da Operação Compliance Zero, que apura supostas fraudes ligadas ao Banco Master, e nega irregularidades
24/06/2026
16:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, pediu licença do cargo de líder do governo no Senado Federal nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
A decisão foi anunciada depois de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro durou cerca de duas horas e tratou da permanência do senador na função de articulador do governo na Casa.
Após a conversa, Wagner publicou nas redes sociais que o afastamento foi decidido em comum acordo com Lula. Segundo ele, a prioridade agora será provar sua inocência, além de se dedicar à campanha de reeleição do presidente, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e à própria candidatura ao Senado, ao lado do ministro Rui Costa.
A saída ocorre dias depois de endereços ligados ao senador em Salvador, na Bahia, e em Brasília serem alvos de mandados de busca e apreensão na 9ª fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura vínculos entre agentes políticos, empresários e operadores financeiros ligados ao Banco Master.
De acordo com a Polícia Federal, Jaques Wagner aparece como suposto beneficiário de vantagens econômicas investigadas. Os investigadores apuram se o senador teria recebido pagamentos, benefícios ou aquisições patrimoniais em troca de apoio a medidas no Congresso que poderiam favorecer o Banco Master.
Entre os pontos analisados estão suspeitas relacionadas à chamada Emenda Master, além da compra de um apartamento de luxo em Salvador e repasses que somariam R$ 3,5 milhões em nome de familiares do parlamentar. Wagner nega ter cometido irregularidades.
A investigação também cita a proximidade do senador com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e proprietário do Banco Pleno, instituição financeira que também foi liquidada pelo Banco Central.
Em nota, Jaques Wagner afirmou que não atuou em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira durante o mandato. Sobre o imóvel citado pela Polícia Federal, declarou que ele não integra seu patrimônio.
Nos bastidores, a permanência do senador na liderança já era considerada politicamente difícil por auxiliares do governo. A avaliação era de que a investigação poderia gerar desgaste direto para o Palácio do Planalto, especialmente por envolver um dos aliados mais próximos de Lula.
A relação entre Lula e Jaques Wagner vem desde a década de 1970, quando ambos atuavam no movimento sindical. Lula surgiu no sindicalismo metalúrgico de São Bernardo do Campo, em São Paulo, enquanto Wagner teve trajetória ligada aos trabalhadores da indústria petroquímica da Bahia.
Ao longo da vida pública, Wagner ocupou cargos centrais em governos petistas. Foi ministro do Trabalho e das Relações Institucionais no primeiro mandato de Lula, governador da Bahia por dois mandatos, ministro da Casa Civil no governo de Dilma Rousseff e uma das principais lideranças do PT no Congresso.
Na semana passada, o senador disse em entrevista à BandNews TV que havia recebido ligação de Lula em solidariedade após a operação. A fala gerou incômodo no entorno presidencial, porque levou o caso para dentro do debate político do governo.
Com a licença de Jaques Wagner, o governo terá de escolher um novo nome para a liderança no Senado Federal. A função é estratégica, pois cabe ao líder articular votações, defender interesses do Executivo e negociar pautas com partidos da base e da oposição.
A Operação Compliance Zero também já atingiu outros parlamentares em fases anteriores. Entre eles está o senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, citado em apurações sobre supostos benefícios pagos por Daniel Vorcaro, incluindo despesas com viagens e hospedagens de alto padrão. Ciro também nega irregularidades.
No caso de Wagner, a defesa sustenta que o senador é inocente e que os fatos serão esclarecidos. O afastamento da liderança, por enquanto, reduz a exposição institucional do governo no Senado, mas mantém a investigação no centro da agenda política em Brasília.
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