Polícia / Investigação
Arma registrada em nome de Bolsonaro é apreendida durante blitz no DF
Armamento estava com sargento do Exército, que informou ter retirado a peça para reparo mecânico antes da devolução ao ex-presidente
16/06/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Uma arma de fogo registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi apreendida pela Polícia Militar do Distrito Federal durante uma blitz realizada na noite de segunda-feira, 15 de junho, no Pistão Norte, em Taguatinga.
O armamento estava em posse do sargento do Exército Brasileiro, Estácio Leite da Silva Filho, ligado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Ele foi abordado durante a fiscalização de rotina e levado à 21ª Delegacia de Polícia, no Pistão Sul, para prestar esclarecimentos.
A situação chamou a atenção dos policiais porque, embora o militar tenha apresentado documentação referente ao porte funcional, a arma estava registrada em nome de outra pessoa. Aos agentes, o sargento informou que o armamento pertencia a Jair Bolsonaro.
Em depoimento, Estácio Leite da Silva Filho afirmou que havia retirado a arma na segunda-feira, 15, para realizar um reparo mecânico. Segundo ele, o problema seria uma pane simples, relacionada ao percussor. O militar disse ainda que pretendia devolver o armamento ao ex-presidente nesta terça-feira, 16 de junho, após a conclusão do conserto.
O GSI, por sua vez, informou que não realiza a segurança de ex-presidentes. Segundo o órgão, sua atuação se limita à capacitação e avaliação de servidores e condutores de veículos que integram as equipes responsáveis pela segurança dos ex-presidentes da República.
Diante das circunstâncias, a arma foi apreendida e o caso encaminhado à Polícia Civil do Distrito Federal. A ocorrência foi registrada na 21ª Delegacia de Polícia, que deverá apurar a regularidade do transporte do armamento, a documentação apresentada e as condições em que a arma foi retirada para manutenção.
O caso envolve ainda o contexto jurídico do ex-presidente. Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado.
Inicialmente, Bolsonaro ficou custodiado na Superintendência da Polícia Federal. Depois, foi transferido para uma Sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.
Em março de 2026, o ex-presidente apresentou quadro de broncopneumonia aspirativa após mal-estar durante a noite e precisou ser internado no Hospital DF Star, em Brasília. A defesa voltou a pedir prisão domiciliar humanitária, alegando necessidade de acompanhamento médico contínuo e atendimento imediato em caso de complicações.
Laudos apresentados ao processo indicaram quadro clínico estável, mas com necessidade de monitoramento durante o tratamento. A Procuradoria-Geral da República deu parecer favorável ao pedido.
Ao conceder a medida, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que o sistema prisional vinha garantindo atendimento adequado ao ex-presidente, mas considerou que a situação de saúde justificava uma excepcionalidade temporária.
A prisão domiciliar foi estabelecida inicialmente pelo prazo de 90 dias, contados a partir da alta médica. Bolsonaro deve cumprir a medida integralmente em sua residência, com uso de tornozeleira eletrônica.
Pelas restrições impostas, o ex-presidente está proibido de usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa, inclusive por intermédio de terceiros. O descumprimento das regras pode levar à revogação do benefício e ao retorno ao regime fechado.
A apreensão da arma será analisada pela Polícia Civil, que deve verificar se houve irregularidade no transporte e na posse temporária do armamento registrado em nome do ex-presidente.
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