Campo Grande (MS), Quinta-feira, 04 de Junho de 2026

Política / Eleições

Base de Riedel concentra maior fatia do fundo eleitoral entre pré-candidaturas ao governo de MS

Com partidos já anunciados, aliança governista reúne 54,8% dos recursos nacionais; PT pode ampliar participação com apoio do Podemos

04/06/2026

07:15

INVESTIGA MS

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul em 2026 começa a ganhar contornos também pelo volume de recursos públicos disponíveis para as campanhas. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) distribuirá R$ 4,9 bilhões entre 30 partidos políticos nas eleições deste ano.

No cenário estadual, a coligação articulada em torno do governador Eduardo Riedel reúne, até o momento, partidos que concentram 54,8% dos recursos nacionais do fundo eleitoral. O grupo inclui PL, PP, Republicanos, MDB e PSDB, legendas que, somadas, terão acesso às maiores fatias do financiamento público de campanha.

Entre os partidos da base governista, o PL aparece com a maior parcela nacional, estimada em R$ 881,7 milhões. O PP terá cerca de R$ 417 milhões, enquanto o Republicanos contará com aproximadamente R$ 348 milhões. O MDB receberá cerca de R$ 400 milhões, e o PSDB, R$ 147 milhões.

No campo de oposição, o pré-candidato Fábio Trad, do PT, aparece com o segundo maior bloco de recursos considerando as alianças já anunciadas. A federação formada por PT, PV e PCdoB, junto ao PSB, representa 17,6% do total do fundo eleitoral. Caso o Podemos confirme apoio ao projeto, esse percentual pode chegar a 22,56%.

Outras pré-candidaturas aparecem com fatias menores do financiamento público. O PSOL, ligado à pré-candidatura de Lucien Rezende, representa 2,65% do total. O Novo, do pré-candidato João Henrique Catan, fica com 0,75%. Já Democracia Cristã, do economista Renato, e Agir, de Jeferson Bezerra, aparecem com 0,07%.

Em nível nacional, o Partido Liberal (PL) terá a maior parcela do fundo eleitoral, com R$ 881,7 milhões. Na sequência aparecem o Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com aproximadamente R$ 526,2 milhões.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha é formado por recursos do orçamento da União e utilizado para custear campanhas eleitorais de candidatas e candidatos. A divisão é feita diretamente aos diretórios nacionais dos partidos, que depois definem a distribuição interna dos valores conforme suas estratégias eleitorais e regras partidárias.

A repartição dos recursos segue critérios previstos na Lei das Eleições, a Lei nº 9.504/1997. Pela regra atual, 2% do total são divididos igualmente entre todos os partidos com estatuto registrado no TSE.

Outros 35% são distribuídos proporcionalmente aos votos obtidos pelas legendas na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. A maior parcela, equivalente a 48%, leva em conta o número de representantes eleitos por cada partido para a Câmara. Os 15% restantes são divididos conforme a representação das legendas no Senado Federal.

Na prática, partidos com bancadas maiores no Congresso recebem mais recursos. Por isso, coligações formadas por legendas com forte representação nacional tendem a chegar à campanha com maior capacidade financeira para ações de comunicação, mobilização, material eleitoral e estrutura partidária.

Em Mato Grosso do Sul, os números mostram que a disputa pelo governo terá forte desigualdade de estrutura entre os grupos políticos, ao menos na largada. A quantidade de recursos disponíveis não define o resultado eleitoral, mas influencia diretamente a capacidade das campanhas de ampliar presença nos municípios, produzir material, contratar equipes e investir em propaganda.

 


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