Política / Eleições 2026
João Henrique Catan defende plano desenvolvimentista e diz que Novo quer reconstruir a direita em MS
Pré-candidato ao Governo do Estado criticou gestão de Eduardo Riedel, falou sobre saúde, ICMS, agricultura familiar e escolha da chapa
17/05/2026
07:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado estadual João Henrique Catan (Novo), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, afirmou que pretende apresentar um plano de governo com perfil desenvolvimentista, empreendedor e voltado à modernização do Estado. Em entrevista ao jornal O Estado, o parlamentar também fez críticas à gestão do governador Eduardo Riedel (PP), defendeu mudanças na política tributária e disse que o Novo trabalha para se consolidar como alternativa da direita no Estado.
Conservador, cristão, armamentista, bolsonarista e defensor de pautas ligadas às liberdades individuais, Catan deixou o PL em busca de espaço para disputar o Executivo estadual. Segundo ele, a mudança partidária faz parte de um projeto mais amplo de reorganização política da direita sul-mato-grossense.
“Nós estamos construindo uma nova casa. Tiraram a nossa casa, mas nós estamos construindo uma casa em solo fértil”, afirmou o deputado ao comentar o posicionamento do Novo no cenário político estadual.
Questionado sobre o perfil de seu plano de governo, João Henrique Catan disse que a proposta será baseada em desenvolvimento econômico, inovação, infraestrutura e incentivo ao empreendedorismo. Para ele, Mato Grosso do Sul tem potencial para avançar em áreas que já são realidade em outros estados.
“É um plano de governo com visão, que traz modernidade, arrojo, esperança. Muitas coisas que outros estados já têm, nós podemos ter e só não temos por conta do viés que foi colocado dentro da governadoria”, declarou.
O deputado afirmou que pretende continuar ouvindo a população antes de fechar as propostas. Segundo ele, o objetivo não é apresentar apenas uma visão pessoal, mas construir um projeto que dialogue com diferentes setores da sociedade.
Entre os pontos criticados, Catan citou a baixa proporção de rodovias duplicadas, a falta de asfalto em estradas usadas para escoamento da produção, problemas de mobilidade urbana em Campo Grande e a ausência de ferrovias e hidrovias plenamente funcionais.
“Não consigo aceitar que o meu Estado tenha 0,78% de rodovia dupla, ou que existam estradas de escoamento de produção sem asfalto”, afirmou.
Na área da agricultura familiar, Catan defendeu um modelo de fortalecimento dos assentamentos, com incentivo à produção regional e criação de rotas de abastecimento dentro do próprio Estado.
Segundo ele, produtores assentados que hoje conseguem renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 4 mil poderiam ampliar significativamente o faturamento com apoio técnico, organização da produção e acesso ao mercado consumidor.
O parlamentar citou a possibilidade de desenvolver um projeto voltado à fruticultura e ao abastecimento regional, especialmente no Cone-Sul. Para ele, a estruturação desse setor reduziria a dependência de produtos vindos de outros estados, como São Paulo.
Outro ponto defendido pelo pré-candidato é a preparação de Mato Grosso do Sul para a chamada revolução digital. Catan afirmou que a inteligência artificial deve representar, nas próximas décadas, uma transformação comparável à Revolução Industrial.
Para ele, o Estado precisa formar jovens capazes de participar dessa mudança como produtores de tecnologia, e não apenas como consumidores de ferramentas digitais.
“Os jovens estão usando o ChatGPT, o Claude, o Gemini, mas cadê que a gente ensina para esses jovens aquilo que vai acontecer no futuro? Eles não sabem física, não sabem matemática, não sabem astronomia, não sabem química, não sabem programação”, afirmou.
O deputado defendeu que programação e formação tecnológica sejam tratadas como conhecimentos essenciais, no mesmo nível de importância do inglês.
Na área da saúde, João Henrique Catan fez duras críticas ao modelo de financiamento e gestão do setor público estadual. Ele comparou os repasses feitos à Santa Casa de Campo Grande e ao Hospital Regional, afirmando que há desproporção entre valores recebidos e serviços prestados.
Segundo o deputado, a Santa Casa atende cerca de 55% das demandas de alta complexidade do Estado, enquanto o Hospital Regional recebe valores muito superiores quando comparados à produção de serviços.
Catan também criticou o projeto de terceirização do Hospital Regional e citou decisão do Tribunal de Contas que suspendeu cautelarmente a proposta. Para ele, o modelo precisa ser revisto com mais transparência e eficiência.
Sobre a composição da chapa para 2026, o deputado evitou revelar nomes cotados para a vice. Segundo ele, a definição será feita no período de convenção, após avaliação de critérios como conexão com o público, pesquisas internas, métricas digitais e alinhamento político.
“Eu quero funcionar como escudo. Deixa para a hora da gente anunciar, até para termos melhor estudo, conexão, olhar pesquisas, métricas, alinhamento, no período da convenção”, disse.
Catan negou que a escolha do vice será feita apenas com base em engajamento nas redes sociais. Segundo ele, a afirmação foi interpretada de forma equivocada.
“Jamais faria, pois isso é infantil”, declarou. O parlamentar explicou que o partido pretende avaliar a conexão real de possíveis nomes com o eleitorado, mas dentro de um processo mais amplo de análise política.
O deputado confirmou que Roberto Oshiro está colocado como pré-candidato ao Senado pelo Novo. Segundo Catan, o partido também avalia outros nomes e pode lançar duas candidaturas, caso tenha quadros competitivos.
“O Oshiro se dispôs a ser um pré-candidato ao Senado. Ele está na pré-campanha dele. Se mais adiante tivermos dois bons pré-candidatos, teremos dois”, afirmou.
O pré-candidato também disse acreditar que o Novo terá representação expressiva na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, além de nomes competitivos para a Câmara Federal, Senado e Governo do Estado.
Ao ser questionado sobre uma eventual aproximação entre Novo e PT, João Henrique Catan descartou completamente essa possibilidade. Segundo ele, uma aliança desse tipo seria incompatível com os princípios e valores defendidos por sua trajetória política.
“Jamais, não tem como. Eu comecei a minha história política criticando quem não tinha coerência”, afirmou.
O deputado disse que a população costuma rejeitar políticos que abandonam o discurso original. Como exemplo, citou a eleição municipal em Campo Grande, ao afirmar que a tentativa de apresentar Beto Pereira como candidato da direita não teve êxito nas urnas.
Neto do ex-governador Marcelo Miranda, João Henrique Catan também foi questionado sobre tradição familiar na política. Ele afirmou que começou a trabalhar com carteira assinada aos 14 anos, formou-se em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, trabalhou como advogado, estudou na Inglaterra e nos Estados Unidos antes de ingressar na vida pública.
Segundo ele, sua entrada na política teve como motivação o desejo de fazer diferente e enfrentar o que considera injustiças e repetição de práticas tradicionais no Estado.
“Antes de ser político, eu sou e continuo advogado por não aceitar conviver com injustiça, com o marasmo do mesmismo”, declarou.
Na área tributária, Catan voltou a criticar o atual modelo de rateio do ICMS para os municípios, especialmente a redução da participação de Campo Grande. Segundo ele, seria possível reequilibrar a distribuição sem prejudicar o interior por meio da criação de um fundo de compensação.
O deputado afirmou que o Estado precisa revisar incentivos fiscais e recalibrar a divisão dos recursos. Ele citou que a renúncia de receita teria passado de R$ 4 bilhões para uma projeção de R$ 13 bilhões em 2027, estando atualmente em torno de R$ 11 bilhões.
Para Catan, parte desses valores poderia ser reorganizada para corrigir distorções e garantir compensação aos municípios afetados.
O deputado também afirmou acreditar que o Estado tem condições de conceder a revisão salarial de 7,79% aos servidores. Para ele, o problema está na definição de prioridades do governo.
Catan criticou o aumento concedido a cargos comissionados, afirmou ter votado contra a medida na Assembleia e comparou gastos com diárias de secretários a benefícios pagos a policiais.
“O policial recebe 100 reais de vale-alimentação e o governador gasta milhões com diárias para os secretários irem ao Uruguai, a Dubai, à China”, disse.
O parlamentar também criticou reajustes concedidos a empresas de pedágio, que, segundo ele, receberam 15% de aumento, enquanto os servidores tiveram correção menor.
Com discurso centrado em desenvolvimento, redução de impostos, crítica à gestão estadual e reorganização da direita, João Henrique Catan tenta se posicionar como alternativa ao bloco político liderado por Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul.
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