Campo Grande (MS), Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Política / Eleições 2026

João Henrique Catan defende plano desenvolvimentista e diz que Novo quer reconstruir a direita em MS

Pré-candidato ao Governo do Estado criticou gestão de Eduardo Riedel, falou sobre saúde, ICMS, agricultura familiar e escolha da chapa

17/05/2026

07:45

DA REDAÇÃO

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O deputado estadual João Henrique Catan (Novo), pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, afirmou que pretende apresentar um plano de governo com perfil desenvolvimentista, empreendedor e voltado à modernização do Estado. Em entrevista ao jornal O Estado, o parlamentar também fez críticas à gestão do governador Eduardo Riedel (PP), defendeu mudanças na política tributária e disse que o Novo trabalha para se consolidar como alternativa da direita no Estado.

Conservador, cristão, armamentista, bolsonarista e defensor de pautas ligadas às liberdades individuais, Catan deixou o PL em busca de espaço para disputar o Executivo estadual. Segundo ele, a mudança partidária faz parte de um projeto mais amplo de reorganização política da direita sul-mato-grossense.

Nós estamos construindo uma nova casa. Tiraram a nossa casa, mas nós estamos construindo uma casa em solo fértil”, afirmou o deputado ao comentar o posicionamento do Novo no cenário político estadual.

Plano de governo terá foco em desenvolvimento e empreendedorismo

Questionado sobre o perfil de seu plano de governo, João Henrique Catan disse que a proposta será baseada em desenvolvimento econômico, inovação, infraestrutura e incentivo ao empreendedorismo. Para ele, Mato Grosso do Sul tem potencial para avançar em áreas que já são realidade em outros estados.

É um plano de governo com visão, que traz modernidade, arrojo, esperança. Muitas coisas que outros estados já têm, nós podemos ter e só não temos por conta do viés que foi colocado dentro da governadoria”, declarou.

O deputado afirmou que pretende continuar ouvindo a população antes de fechar as propostas. Segundo ele, o objetivo não é apresentar apenas uma visão pessoal, mas construir um projeto que dialogue com diferentes setores da sociedade.

Entre os pontos criticados, Catan citou a baixa proporção de rodovias duplicadas, a falta de asfalto em estradas usadas para escoamento da produção, problemas de mobilidade urbana em Campo Grande e a ausência de ferrovias e hidrovias plenamente funcionais.

Não consigo aceitar que o meu Estado tenha 0,78% de rodovia dupla, ou que existam estradas de escoamento de produção sem asfalto”, afirmou.

Agricultura familiar e abastecimento regional

Na área da agricultura familiar, Catan defendeu um modelo de fortalecimento dos assentamentos, com incentivo à produção regional e criação de rotas de abastecimento dentro do próprio Estado.

Segundo ele, produtores assentados que hoje conseguem renda mensal entre R$ 2 mil e R$ 4 mil poderiam ampliar significativamente o faturamento com apoio técnico, organização da produção e acesso ao mercado consumidor.

O parlamentar citou a possibilidade de desenvolver um projeto voltado à fruticultura e ao abastecimento regional, especialmente no Cone-Sul. Para ele, a estruturação desse setor reduziria a dependência de produtos vindos de outros estados, como São Paulo.

Revolução digital e formação dos jovens

Outro ponto defendido pelo pré-candidato é a preparação de Mato Grosso do Sul para a chamada revolução digital. Catan afirmou que a inteligência artificial deve representar, nas próximas décadas, uma transformação comparável à Revolução Industrial.

Para ele, o Estado precisa formar jovens capazes de participar dessa mudança como produtores de tecnologia, e não apenas como consumidores de ferramentas digitais.

Os jovens estão usando o ChatGPT, o Claude, o Gemini, mas cadê que a gente ensina para esses jovens aquilo que vai acontecer no futuro? Eles não sabem física, não sabem matemática, não sabem astronomia, não sabem química, não sabem programação”, afirmou.

O deputado defendeu que programação e formação tecnológica sejam tratadas como conhecimentos essenciais, no mesmo nível de importância do inglês.

Saúde: críticas ao Hospital Regional e defesa da Santa Casa

Na área da saúde, João Henrique Catan fez duras críticas ao modelo de financiamento e gestão do setor público estadual. Ele comparou os repasses feitos à Santa Casa de Campo Grande e ao Hospital Regional, afirmando que há desproporção entre valores recebidos e serviços prestados.

Segundo o deputado, a Santa Casa atende cerca de 55% das demandas de alta complexidade do Estado, enquanto o Hospital Regional recebe valores muito superiores quando comparados à produção de serviços.

Catan também criticou o projeto de terceirização do Hospital Regional e citou decisão do Tribunal de Contas que suspendeu cautelarmente a proposta. Para ele, o modelo precisa ser revisto com mais transparência e eficiência.

Vice será definido por conexão, pesquisas internas e convenção

Sobre a composição da chapa para 2026, o deputado evitou revelar nomes cotados para a vice. Segundo ele, a definição será feita no período de convenção, após avaliação de critérios como conexão com o público, pesquisas internas, métricas digitais e alinhamento político.

Eu quero funcionar como escudo. Deixa para a hora da gente anunciar, até para termos melhor estudo, conexão, olhar pesquisas, métricas, alinhamento, no período da convenção”, disse.

Catan negou que a escolha do vice será feita apenas com base em engajamento nas redes sociais. Segundo ele, a afirmação foi interpretada de forma equivocada.

Jamais faria, pois isso é infantil”, declarou. O parlamentar explicou que o partido pretende avaliar a conexão real de possíveis nomes com o eleitorado, mas dentro de um processo mais amplo de análise política.

Roberto Oshiro é pré-candidato ao Senado

O deputado confirmou que Roberto Oshiro está colocado como pré-candidato ao Senado pelo Novo. Segundo Catan, o partido também avalia outros nomes e pode lançar duas candidaturas, caso tenha quadros competitivos.

O Oshiro se dispôs a ser um pré-candidato ao Senado. Ele está na pré-campanha dele. Se mais adiante tivermos dois bons pré-candidatos, teremos dois”, afirmou.

O pré-candidato também disse acreditar que o Novo terá representação expressiva na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, além de nomes competitivos para a Câmara Federal, Senado e Governo do Estado.

Aliança com o PT é descartada

Ao ser questionado sobre uma eventual aproximação entre Novo e PT, João Henrique Catan descartou completamente essa possibilidade. Segundo ele, uma aliança desse tipo seria incompatível com os princípios e valores defendidos por sua trajetória política.

Jamais, não tem como. Eu comecei a minha história política criticando quem não tinha coerência”, afirmou.

O deputado disse que a população costuma rejeitar políticos que abandonam o discurso original. Como exemplo, citou a eleição municipal em Campo Grande, ao afirmar que a tentativa de apresentar Beto Pereira como candidato da direita não teve êxito nas urnas.

Catan nega política de carreira e cita trajetória pessoal

Neto do ex-governador Marcelo Miranda, João Henrique Catan também foi questionado sobre tradição familiar na política. Ele afirmou que começou a trabalhar com carteira assinada aos 14 anos, formou-se em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, trabalhou como advogado, estudou na Inglaterra e nos Estados Unidos antes de ingressar na vida pública.

Segundo ele, sua entrada na política teve como motivação o desejo de fazer diferente e enfrentar o que considera injustiças e repetição de práticas tradicionais no Estado.

Antes de ser político, eu sou e continuo advogado por não aceitar conviver com injustiça, com o marasmo do mesmismo”, declarou.

Rateio do ICMS e fundo de compensação

Na área tributária, Catan voltou a criticar o atual modelo de rateio do ICMS para os municípios, especialmente a redução da participação de Campo Grande. Segundo ele, seria possível reequilibrar a distribuição sem prejudicar o interior por meio da criação de um fundo de compensação.

O deputado afirmou que o Estado precisa revisar incentivos fiscais e recalibrar a divisão dos recursos. Ele citou que a renúncia de receita teria passado de R$ 4 bilhões para uma projeção de R$ 13 bilhões em 2027, estando atualmente em torno de R$ 11 bilhões.

Para Catan, parte desses valores poderia ser reorganizada para corrigir distorções e garantir compensação aos municípios afetados.

Revisão salarial dos servidores

O deputado também afirmou acreditar que o Estado tem condições de conceder a revisão salarial de 7,79% aos servidores. Para ele, o problema está na definição de prioridades do governo.

Catan criticou o aumento concedido a cargos comissionados, afirmou ter votado contra a medida na Assembleia e comparou gastos com diárias de secretários a benefícios pagos a policiais.

O policial recebe 100 reais de vale-alimentação e o governador gasta milhões com diárias para os secretários irem ao Uruguai, a Dubai, à China”, disse.

O parlamentar também criticou reajustes concedidos a empresas de pedágio, que, segundo ele, receberam 15% de aumento, enquanto os servidores tiveram correção menor.

Com discurso centrado em desenvolvimento, redução de impostos, crítica à gestão estadual e reorganização da direita, João Henrique Catan tenta se posicionar como alternativa ao bloco político liderado por Eduardo Riedel em Mato Grosso do Sul.


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