Campo Grande (MS), Sexta-feira, 05 de Junho de 2026

Política / Direitos

Gleice Jane critica lei dos banheiros e defende protesto na Câmara de Campo Grande

Deputada afirma que norma contra mulheres trans é inconstitucional e diz que manifestação no Legislativo foi legítima

28/04/2026

18:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

A deputada estadual Professora Gleice Jane (PT) criticou a lei aprovada pela Câmara Municipal de Campo Grande que proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros femininos. Para a parlamentar, a medida é inconstitucional, viola direitos fundamentais e representa um retrocesso na proteção à dignidade humana.

A declaração foi feita após a sessão desta terça-feira, 28 de abril, marcada por protestos de movimentos sociais no plenário da Casa. Os manifestantes se posicionaram contra a legislação relacionada ao uso de banheiros e também criticaram propostas ligadas à pauta fundiária.

Segundo Gleice Jane, a proibição fere princípios previstos na Constituição Federal, como a dignidade da pessoa humana, a igualdade e a não discriminação. A deputada afirmou que o poder público não deve utilizar a legislação para ampliar a exclusão de grupos que já enfrentam vulnerabilidade social.

“Não é possível que o poder público utilize a lei para excluir e expor ainda mais uma população que já vive em situação de vulnerabilidade. Essa medida não se sustenta juridicamente”, afirmou.

A parlamentar também defendeu a legitimidade da manifestação realizada na Câmara Municipal. Para ela, a presença de movimentos sociais no Legislativo faz parte do processo democrático, especialmente quando há debate sobre direitos fundamentais.

“Quando direitos são ameaçados, a sociedade se mobiliza. O que vimos foi o exercício legítimo da democracia”, pontuou Gleice Jane.

Além da discussão sobre a lei dos banheiros, a deputada comentou propostas relacionadas à pauta fundiária e aos movimentos sociais. Na avaliação dela, iniciativas que tentam deslegitimar essas organizações desconsideram a complexidade histórica da concentração de terras e dos conflitos fundiários no Brasil.

“Não se resolve um problema estrutural com medidas simbólicas ou de enfrentamento ideológico. É preciso diálogo, política pública e respeito à função social da terra”, disse.

Para Gleice Jane, o papel do poder público deve ser o de garantir direitos, construir soluções e reduzir desigualdades. A deputada afirmou que medidas restritivas tendem a aprofundar conflitos sociais em vez de enfrentar as causas dos problemas.

“O caminho não é restringir direitos, mas ampliá-los. O Estado precisa estar comprometido com a Constituição e com a dignidade de todas as pessoas”, concluiu.


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