Campo Grande (MS), Domingo, 12 de Abril de 2026

Saúde / Medicina

Uso de tadalafila na musculação acende alerta sobre riscos cardíacos e desmaios em Mato Grosso do Sul

Especialista afirma que medicamento voltado à disfunção erétil não tem indicação para ganho de desempenho na academia e pode provocar queda de pressão, arritmias e até colapso cardiovascular

12/04/2026

08:15

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

O uso de tadalafila por frequentadores de academia em busca de melhor desempenho físico tem acendido um sinal de alerta entre médicos em Mato Grosso do Sul. Segundo relatos que passaram a se repetir em consultórios, pacientes têm recorrido ao medicamento, originalmente indicado para disfunção erétil, com a expectativa de melhorar a oxigenação muscular, aumentar a performance e favorecer a hipertrofia. Para especialistas, porém, essa prática não encontra respaldo científico e pode trazer consequências graves à saúde.

O cardiologista e ecocardiografista Gabriel Doreto, que atua como preceptor da residência de Cardiologia do HU-UFMS e também integra a Unidade Coronária do Hospital Unimed, afirma que o medicamento foi desenvolvido para finalidades específicas da área urológica e não deve ser utilizado como recurso para atividade física ou ganho muscular. De acordo com ele, não há base na literatura científica que sustente esse tipo de uso.

O principal problema está no efeito vasodilatador provocado pela tadalafila. Embora esse mecanismo leve algumas pessoas a acreditar que haverá melhora da circulação e, por consequência, do rendimento nos treinos, o especialista explica que o remédio pode reduzir a pressão arterial e elevar a frequência cardíaca, o que se torna especialmente perigoso durante exercícios intensos.

Segundo Gabriel Doreto, em um contexto de esforço físico mais elevado, calor, perda de líquidos e desidratação, essa combinação pode causar queda acentuada da pressão, redução do fluxo sanguíneo cerebral e episódios de desmaio. O aumento dos batimentos cardíacos, associado ao estresse do exercício, também pode favorecer o aparecimento de arritmias graves.

Além desses efeitos, o médico alerta para sintomas já observados com o uso inadequado do medicamento, como fortes dores de cabeça e vermelhidão facial. Em situações mais severas, o quadro pode evoluir para colapso cardiovascular, especialmente quando há sobrecarga física ou predisposição clínica ainda não identificada.

Outro ponto de preocupação é a associação da tadalafila com outros medicamentos. O especialista destaca que substâncias com ação vasodilatadora ou que também reduzam a pressão arterial podem potencializar os efeitos do remédio e ampliar o risco de complicações. Nesses casos, a interação medicamentosa pode agravar a instabilidade hemodinâmica e gerar efeitos colaterais mais perigosos.

Para o cardiologista, é importante afastar a ideia de que a tadalafila seja uma substância inofensiva. Ele reforça que se trata de um medicamento que deve ser usado em situações bem definidas e com orientação adequada, não como atalho para melhorar resultado estético ou desempenho esportivo.

Com a popularização desse uso fora da indicação original, médicos voltam a chamar atenção para os limites entre informação compartilhada em redes sociais e prática segura. No caso da tadalafila, o recado é direto: utilizar o medicamento para musculação, sem acompanhamento e sem necessidade clínica comprovada, pode expor o usuário a riscos sérios e desnecessários.


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