Política / Trabalho
Pedro Kemp critica PEC no Senado e defende fim da escala 6x1
Deputado afirmou que proposta em discussão representa retrocesso trabalhista e cobrou avanço da redução da jornada no Congresso
16/06/2026
13:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O deputado estadual Pedro Kemp (PT) usou a tribuna nesta segunda-feira, 16 de junho, para criticar uma proposta em tramitação no Senado Federal que, segundo ele, ameaça direitos trabalhistas garantidos pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). O parlamentar também voltou a defender o fim da escala 6x1 no país.
Durante o discurso, Kemp classificou a medida como “PEC da Escravidão” e afirmou que o texto, na avaliação dele, pode abrir caminho para jornadas mais extensas, com redução de garantias históricas dos trabalhadores brasileiros.
Segundo o deputado, o debate ocorre em um momento em que o país discute justamente a redução da jornada de trabalho, com foco na qualidade de vida, no direito ao descanso e na convivência familiar. Para ele, qualquer proposta que amplie a carga de trabalho semanal caminha na direção contrária às demandas atuais da sociedade.
“Vejam a cara de pau desses senadores. O autor desse absurdo, Rogério Marinho, e outros senadores bolsonaristas, como Flávio Bolsonaro, são contra o fim da escala 6x1 e querem implantar essa escala 7x0, que acaba com a CLT e com os direitos trabalhistas. É a volta da escravidão”, afirmou Pedro Kemp.
O parlamentar disse ainda que milhões de trabalhadores buscam mais tempo para descansar, estudar, cuidar da saúde e conviver com suas famílias. Na avaliação dele, a manutenção de escalas consideradas exaustivas prejudica especialmente mulheres, trabalhadores do comércio, serviços e categorias que cumprem jornadas com apenas um dia de folga semanal.
Pedro Kemp também criticou a demora no avanço da proposta que trata do fim da escala 6x1 no Congresso Nacional. Ele citou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e afirmou que o projeto estaria parado, apesar da mobilização popular em defesa da mudança.
O deputado mencionou ainda acusações e citações públicas envolvendo o escândalo do Banco Master, mas não apresentou novos documentos durante a fala. Ao tratar do tema, afirmou que interesses econômicos teriam influência sobre a tramitação de pautas trabalhistas no Congresso.
Na tribuna, Kemp também citou o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e disse que setores empresariais contrários à redução da jornada estariam atuando para impedir o avanço da proposta. As declarações foram feitas no contexto das investigações e discussões políticas envolvendo o banco e seus principais nomes.
O deputado defendeu a proposta apresentada pela deputada federal Erika Hilton, que trata do fim da escala 6x1. Para Kemp, a medida acompanha experiências já adotadas em outros países, onde jornadas reduzidas vêm sendo testadas com foco em produtividade, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.
Segundo o parlamentar, o avanço tecnológico permite reorganizar a relação entre tempo de trabalho, produtividade e descanso. Ele citou modelos internacionais de jornada reduzida, como a escala 4x3, em que trabalhadores atuam quatro dias por semana e folgam três.
Ao encerrar a fala, Pedro Kemp afirmou que continuará defendendo a redução da jornada e a ampliação de direitos trabalhistas. Para ele, o Congresso deve priorizar propostas que garantam mais dignidade à classe trabalhadora e rejeitar medidas que possam representar retrocesso nas condições de trabalho.
A discussão sobre a escala 6x1 deve seguir no centro do debate político nacional, envolvendo trabalhadores, entidades sindicais, setores empresariais e parlamentares. O tema tem impacto direto na rotina de milhões de brasileiros e tende a ganhar força conforme avançam as discussões sobre novas formas de organização do trabalho.
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