Infraestrutura / Integração
Ponte da Rota Bioceânica avança para fase decisiva e deve conectar Brasil e Paraguai em maio
Estrutura sobre o Rio Paraguai entra na etapa final com menos de 50 metros para a união física entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta
06/04/2026
06:30
CE
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
As obras da ponte da Rota Bioceânica avançaram para uma etapa decisiva na fronteira entre Brasil e Paraguai. Faltando apenas 46 metros para a ligação física entre os dois lados, a expectativa é de que a união da estrutura ocorra no início de maio, consolidando um dos marcos mais relevantes do projeto de integração logística sul-americana.
A travessia internacional está sendo construída entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no território paraguaio. Conforme a medição mais recente, realizada na última quinta-feira, 2 de abril, a distância entre as extremidades foi reduzida a menos de 50 metros, dentro de um vão central de 350 metros sobre o Rio Paraguai.
Nesta segunda-feira, 6 de abril, após o feriado prolongado, os serviços intensivos foram retomados com foco na concretagem e no avanço da superestrutura no trecho central da obra. No lado brasileiro, o Consórcio PDC Fronteira mantém o trabalho de montagem dos viadutos de acesso, com instalação de pilares e vigas de concreto. Já no lado paraguaio, seguem os serviços de aterro hidráulico para a implantação do acesso de aproximadamente 4 quilômetros até a Ruta PY-15, eixo estratégico do corredor no Chaco paraguaio.
Com 1.294 metros de extensão, a ponte foi concebida como peça central do Corredor Bioceânico, interligando a malha rodoviária regional à Rodovia PY-15. A estrutura terá papel logístico decisivo ao conectar o centro da América do Sul aos portos do norte do Chile, no Oceano Pacífico, criando uma nova alternativa de escoamento para a produção continental.
A proposta do corredor é unir Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, reduzindo custos de transporte e ampliando a competitividade das exportações sul-americanas com destino aos mercados asiáticos. Em manifestação anterior, o secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, Jaime Verruck, ressaltou o peso estratégico do empreendimento para a integração regional, o comércio exterior e o desenvolvimento do Centro-Oeste brasileiro e do Chaco paraguaio.
Após a junção das duas frentes de construção, a obra entrará em sua etapa final, com execução de calçadas, pistas de rolamento, iluminação viária e ornamental, além de pavimentação e sinalização. A expectativa é de que essa fase seja concluída até agosto, enquanto o acesso paraguaio à ponte deve ser finalizado em novembro.
A estrutura integra um corredor rodoviário de 2.396 quilômetros, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio dos portos de Antofagasta e Iquique, no Chile. A ponte internacional terá cerca de 1,3 quilômetro de comprimento, 21 metros de largura e ficará posicionada a 35 metros acima da calha do rio, com um trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres de 130 metros de altura.
O investimento na ponte é de US$ 100 milhões, com financiamento integral da Itaipu Binacional, pelo lado paraguaio. A construção foi iniciada oficialmente em 14 de janeiro de 2022 e integra um pacote de aproximadamente US$ 1,1 bilhão em investimentos do governo do Paraguai para o trecho de 580 quilômetros entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo.
Dentro desse montante, US$ 440 milhões foram destinados à conclusão do trecho entre Carmelo Peralta e Loma Plata; US$ 100 milhões à ponte internacional; US$ 354 milhões à pavimentação da Picada 500 (PY-15); e outros US$ 200 milhões serão aplicados no segmento entre Centinela e Mariscal. A execução da ponte está sob responsabilidade do Consórcio Pybra, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda, com coordenação do engenheiro civil paraguaio Renê Gómez.
Paralelamente à construção da travessia principal, também seguem as intervenções nos viadutos que integrarão as cabeceiras da ponte em ambos os países. No Brasil, está em andamento a obra da alça de acesso, orçada em cerca de R$ 574 milhões. O trecho terá 13,1 quilômetros de extensão e fará a ligação da BR-267 à nova ponte, em Porto Murtinho.
Embora a ponte sobre o Rio Paraguai tenha previsão de entrega no primeiro semestre de 2026, as alças de acesso do lado brasileiro só devem ser concluídas e liberadas ao público até 2028. Ainda assim, o empreendimento já é tratado como um divisor de águas para a logística regional.
A Rota Bioceânica começará em Porto Murtinho, no sudoeste sul-mato-grossense, atravessará o Paraguai e a Argentina e seguirá até os portos chilenos. Segundo estimativas da Semadesc, essa ligação poderá reduzir em até 17 dias o tempo de transporte das exportações brasileiras com destino à Ásia, em comparação com a rota tradicional pelo Porto de Santos.
Debatido desde 2014 e impulsionado a partir de 2017, o projeto é visto como um vetor de transformação econômica para Mato Grosso do Sul. A expectativa é de fortalecimento das relações comerciais com mercados sul-americanos e asiáticos, além do aumento da capacidade de exportação de produtos como carnes, açúcar, farelo de soja e couros. Especialistas estimam que o corredor tenha potencial para movimentar cerca de US$ 1,5 bilhão por ano em exportações.
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