Política / Investigação
Viagens de Flávio Bolsonaro em jatinhos de empresários entram no radar após registros de deslocamentos em 2025
Senador afirma que compromissos tiveram caráter pessoal e familiar, mas não detalha quem arcou com os custos das aeronaves utilizadas
04/04/2026
07:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou ao menos duas viagens em 2025 ao lado de familiares em aeronaves particulares ligadas a empresários, segundo documentos e relatos obtidos pela imprensa. Os deslocamentos teriam ocorrido com destino à Flórida, nos Estados Unidos, e ao Rio de Janeiro, em meio a questionamentos sobre a origem do custeio e a cessão dos aviões.
De acordo com os registros do Aeroporto de Brasília, uma das viagens ocorreu na madrugada de 1º de maio de 2025. Os documentos indicam que Flávio Bolsonaro, acompanhado da esposa, acessou o terminal executivo às 23h37 do dia 30 de abril, mesma faixa de horário em que também foi registrada a entrada do advogado Willer Tomaz. Pouco depois, às 0h26, uma aeronave particular de longo alcance decolou com destino à Flórida.
O avião utilizado nesse deslocamento está registrado em nome de uma empresa pertencente aos donos da União Química, laboratório do setor químico-farmacêutico sediado em São Paulo. Conforme as informações divulgadas, o escritório de advocacia de Willer Tomaz já atuou em processos judiciais relacionados à empresa.
Uma segunda viagem registrada ocorreu em 1º de abril de 2025, quando Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas ingressaram no terminal executivo às 16h. Menos de dez minutos depois, um jatinho particular vinculado a uma empresa ligada a Willer Tomaz partiu rumo ao Rio de Janeiro. A aeronave mencionada é um Cessna 550 Bravo, com capacidade para oito passageiros.
Ainda segundo os documentos obtidos, há registros de outras três entradas de Flávio Bolsonaro para embarques em aviões particulares. No entanto, nesses casos, não foi possível identificar nem os destinos nem quais aeronaves foram empregadas nos deslocamentos.
Questionado sobre as viagens, o senador afirmou que elas tiveram “finalidade pessoal e familiar”, mas não esclareceu quem assumiu os custos do uso dos jatinhos. A ausência de detalhamento sobre o pagamento das despesas passou a alimentar questionamentos políticos e públicos sobre a natureza das relações mantidas com os proprietários das aeronaves.
O advogado Willer Tomaz, citado como um dos interlocutores próximos do senador, declarou que não recebeu qualquer favorecimento na administração pública e afirmou manter relação de amizade com Flávio Bolsonaro. Conhecido nos bastidores de Brasília, ele atua na advocacia e também possui empresas em outros segmentos de atividade.
A aproximação entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro teria se consolidado no período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência da República. Apesar disso, o advogado é descrito como alguém com trânsito entre diferentes correntes políticas e mantém sociedade com o ex-procurador Eugênio Aragão, nome associado ideologicamente ao PT.
No histórico de Willer Tomaz, também consta um episódio de repercussão nacional envolvendo investigação da Polícia Federal. Ele chegou a ser preso após ser citado em delação de Joesley Batista, sob acusação de tentativa de corrupção de um procurador. Posteriormente, porém, a denúncia foi rejeitada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) por insuficiência de provas.
O caso envolvendo as viagens de Flávio Bolsonaro reacende o debate sobre a utilização de estruturas privadas por agentes públicos e sobre o grau de transparência exigido em deslocamentos realizados por autoridades, ainda que alegadamente em contexto pessoal. A falta de esclarecimentos sobre o custeio e as circunstâncias dessas viagens tende a manter o tema em evidência no ambiente político.
Veja a íntegra das manifestações do senador Flávio Bolsonaro e do advogado Willer Tomaz.
Nota do senador:
\"O senador Flávio Bolsonaro mantém relação de amizade com o advogado Willer Tomaz, assim como suas famílias, sem qualquer vínculo profissional ou comercial. Diferentemente de Lula, que utiliza aviões de amigos que têm empresas reguladas pelo governo, os voos tiveram caráter privado, com finalidade pessoal e familiar, não havendo qualquer contrapartida, favorecimento ou relação com a administração pública\".
Nota do advogado:
\"O advogado Willer Tomaz esclarece que os voos mencionados tiveram caráter estritamente privado, realizados no contexto de relação pessoal de amizade entre as partes. Os deslocamentos foram de natureza exclusivamente pessoal e familiar, sem qualquer vínculo comercial, prestação de serviços ou contrapartida de qualquer natureza\", afirmou em nota.
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