Política / Bastidores
Disputa por vaga na Câmara Federal acirra cálculos partidários e amplia tensão entre pré-candidatos em Mato Grosso do Sul
Definição das chapas para deputado federal entra na reta decisiva com projeções apertadas, medo de erro estratégico e concorrência elevada entre os partidos
03/04/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O encerramento do prazo de filiação partidária ainda provoca movimentações intensas nos bastidores da política de Mato Grosso do Sul, onde dirigentes e pré-candidatos seguem fazendo contas, reavaliando cenários e medindo riscos antes da disputa para a Câmara dos Deputados. A percepção dominante entre lideranças é de que a eleição deste ano tende a ser uma das mais acirradas dos últimos ciclos, especialmente na disputa pelas últimas vagas.
No centro das articulações está a montagem das chapas proporcionais e o cálculo sobre quais partidos terão densidade eleitoral suficiente para transformar votação em mandato. O temor entre os grupos políticos é entrar em uma composição aparentemente competitiva, mas incapaz de alcançar o desempenho necessário para garantir mais cadeiras ou até mesmo assegurar a primeira vaga.
No União Progressista, a chapa está em fase adiantada de consolidação, mas ainda cercada por apreensão. A avaliação de lideranças é de que o grupo tem potencial para alcançar uma das maiores votações do pleito. Ainda assim, o número final de cadeiras dependerá diretamente da força dos concorrentes e do comportamento das sobras eleitorais, mecanismo que pode ser decisivo para transformar uma bancada de dois nomes em uma representação de três deputados federais.
Nos bastidores, um dos fatores que mais chama atenção é o novo papel do PSDB neste cenário. Após perder seus três deputados federais, a legenda passou a reorganizar uma chapa considerada mais equilibrada internamente, com nomes em condições semelhantes de disputa. Esse redesenho tem atraído interessados justamente por reduzir o peso de candidaturas altamente dominantes e abrir espaço para uma competição mais nivelada entre os postulantes.
As projeções feitas por dirigentes e articuladores indicam, neste momento, uma tendência de que o União Progressista e o PL possam eleger dois deputados federais cada. Já PT e Republicanos aparecem como legendas com condições de assegurar uma cadeira, mas com chance real de buscar uma segunda vaga. No caso do PSDB, o objetivo central é ao menos retornar à disputa por uma cadeira competitiva.
Para que o União Progressista consiga chegar a três eleitos, o partido dependerá não apenas de uma votação expressiva, mas também de um desempenho abaixo do esperado de adversários diretos. A conta feita entre lideranças é de que a legenda precisará superar PT e Republicanos nas sobras e, ao mesmo tempo, torcer para que o PSDB não alcance força suficiente para conquistar espaço relevante na divisão final das vagas.
No campo da esquerda, o PT encara um desafio estratégico importante com a ausência de Vander Loubet, que não disputará a reeleição após seis mandatos consecutivos. A principal dúvida entre os aliados é o tamanho da transferência de votos que poderá ocorrer em favor da deputada Camila Jara, que buscará novo mandato, ou de outros nomes do grupo. O bloco também aposta no peso político do ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad, que deverá se filiar ao PV, partido que integra a federação com o PT.
O Republicanos também é citado entre as legendas com chance concreta de crescimento. A expectativa é de que o partido assegure pelo menos uma vaga, mas a chegada de nomes como Jaime Verruck e Roberto Hashioka elevou a projeção interna para uma eventual segunda cadeira. Ambos deixaram um ambiente considerado mais difícil no União Progressista e passaram a reforçar uma chapa que pode ganhar competitividade no momento decisivo da contagem.
Nos cálculos de bastidor, a estimativa é de que sejam necessários cerca de 170 mil votos para eleger um deputado federal em Mato Grosso do Sul, embora esse número dependa do volume de votos válidos e da distribuição entre os partidos. O cenário, por isso, é descrito como de alta imprevisibilidade, especialmente para candidaturas que apostam nas vagas obtidas por média e por sobra.
A eleição passada segue sendo usada como referência para esses cálculos. Na ocasião, o PSDB foi o partido que obteve o melhor desempenho, conquistando três cadeiras com 316.966 votos. O quociente eleitoral ficou em torno de 175 mil votos, e a legenda conseguiu uma vaga pelo quociente e outras duas na distribuição das sobras. Entre os destaques da chapa tucana estiveram Beto Pereira, com 97.872 votos, Geraldo Resende, com 96.519, e Dagoberto, eleito com 48.217 votos.
A performance tucana naquela disputa chamou atenção pelo volume de votos distribuído entre vários nomes da chapa. O partido registrou média de 35.218 votos por candidato, um patamar considerado alto em uma disputa com apenas oito vagas para a Câmara. Esse dado é frequentemente citado nos bastidores para mostrar o quanto uma chapa equilibrada pode ser decisiva no sistema proporcional.
Na mesma eleição, o PL conquistou duas cadeiras, impulsionado pela votação expressiva de Marcos Pollon, que recebeu 218.427 votos, além de Rodolfo Nogueira, eleito com 41.773 votos. O PT também fez dois deputados, somando 201.961 votos, com destaque para Vander Loubet, que teve 76.571 votos, e Camila Jara, com 56.552 votos.
Outros partidos ficaram fora da divisão final das vagas, mesmo com votações relevantes. O PSD somou 82.584 votos, mas não conseguiu reeleger Fábio Trad, que obteve 43.881 votos, porque a chapa não alcançou o percentual necessário para disputar as sobras. Também não elegeram representantes o MDB, com 77.614 votos; o Republicanos, com 75.274; o Podemos, com 63.976; e o União, com 63.354 votos.
Para esta eleição, a expectativa nos bastidores é de um cenário ainda mais concentrado, com menos partidos lançando chapas competitivas para deputado federal. Siglas como PSD e Podemos, por exemplo, não devem entrar na disputa, o que tende a redistribuir lideranças, votos e estruturas partidárias entre menos grupos, elevando o grau de concorrência entre as legendas que permanecerem no jogo.
Com esse quadro, a formação das chapas passa a ser tratada como etapa decisiva não apenas para quem pretende disputar, mas para a sobrevivência eleitoral de grupos inteiros. O ambiente é de incerteza, cálculo minucioso e receio de escolhas erradas, num pleito em que o desenho final das coligações e federações poderá ser determinante para definir quem chega à Câmara Federal por Mato Grosso do Sul.
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