Política / Partidária
Marquinhos Trad troca o PDT pelo PV e mira candidatura à Câmara Federal em 2026
Vereador de Campo Grande passa a integrar federação formada por PV, PT e PCdoB e amplia presença da família Trad no tabuleiro eleitoral de Mato Grosso do Sul
03/04/2026
14:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A reta final da janela partidária em Campo Grande ganhou novo desdobramento com a filiação do vereador Marquinhos Trad ao Partido Verde (PV). Ex-prefeito da Capital, ele deixa o PDT e passa a integrar a legenda que compõe a Federação Brasil da Esperança, formada por PV, PT e PCdoB, já com o objetivo de disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026.
A mudança partidária foi formalizada após a emissão de uma carta de anuência pelo PDT, autorizando a desfiliação sem enquadramento por infidelidade partidária. O documento foi assinado pelo vice-presidente estadual da sigla, Enelvo Felini, sob a justificativa de que o partido enfrenta dificuldades para organizar uma nominata competitiva em Mato Grosso do Sul.
Ao comentar a chegada de Marquinhos Trad, o presidente estadual do PV, Marcelo Bluma, afirmou que a filiação fortalece os quadros da legenda no Estado e amplia a presença do partido no cenário político sul-mato-grossense. Já o vereador declarou que a mudança de sigla não altera sua linha de atuação e que mantém o compromisso com pautas ligadas à justiça social e à defesa de suas convicções políticas.
A entrada no PV também reposiciona Marquinhos Trad dentro de um ambiente político já ocupado por membros de sua família. O ex-deputado federal Fábio Trad, seu irmão, é apontado como pré-candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul pelo PT, enquanto o senador Nelsinho Trad deve buscar a reeleição ao Senado pelo PSD. O quadro evidencia a atuação simultânea da família Trad em diferentes frentes da disputa estadual de 2026.
No campo eleitoral, a filiação insere Marquinhos em uma chapa com potencial competitivo, mas marcada por disputas internas relevantes. Entre os nomes já postos está a deputada federal Camila Jara (PT-MS), que deve buscar novo mandato. Além disso, uma eventual candidatura do deputado federal Vander Loubet ao Senado pode alterar a composição da nominata proporcional e reconfigurar o espaço entre os postulantes da federação.

Apesar da anuência concedida pelo PDT, a mudança não afasta por completo os desdobramentos jurídicos. O suplente de vereador Salah Hassan, que obteve 2.411 votos nas eleições municipais, pode recorrer à Justiça Eleitoral para reivindicar a vaga atualmente ocupada por Marquinhos Trad na Câmara Municipal de Campo Grande. Caberá à Justiça examinar se a desfiliação atende integralmente às exigências legais para preservação do mandato.
Outro ponto observado nos bastidores envolve o cenário pós-eleitoral. Caso Marquinhos Trad não conquiste outro cargo em 2026, o debate sobre a manutenção de sua cadeira no Legislativo municipal poderá voltar à pauta, a depender da interpretação jurídica aplicada às regras de fidelidade partidária e aos efeitos da carta de anuência concedida pela antiga legenda.
Nos meios políticos, a avaliação é de que a filiação ao PV representa uma movimentação estratégica. Ao se integrar à federação alinhada ao projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marquinhos Trad passa a atuar em uma estrutura partidária com maior densidade política e eleitoral. Em contrapartida, assume riscos jurídicos e amplia o grau de concorrência interna na corrida por uma vaga na Câmara Federal.
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