Polícia / Justiça
Polícia conclui que Bernal atirou com intenção de matar e mantém acusação de homicídio qualificado
Relatório final enviado à Justiça aponta que ex-prefeito agiu armado desde a chegada ao imóvel e destaca que perícia ainda poderá detalhar se houve execução
02/04/2026
18:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu, em relatório encaminhado à Justiça nesta quinta-feira, 2 de abril, que o ex-prefeito Alcides Bernal, de 60 anos, atirou com intenção de matar o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, durante o crime ocorrido na tarde de 24 de março, em Campo Grande.
No documento, a investigação mantém o enquadramento de Bernal por homicídio qualificado, com a qualificadora de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de porte ilegal de arma de fogo. Segundo a apuração, o revólver calibre 38 usado pelo ex-prefeito estava com o registro vencido desde 2018, enquanto a autorização para porte expirou em 2019.
De acordo com a reconstituição feita pela polícia, a vítima chegou ao imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, por volta das 13h, acompanhada de um chaveiro. Os dois entraram na residência após a abertura do portão social. Cerca de 40 minutos depois, Alcides Bernal chegou ao local, estacionou o veículo na rua e, antes de entrar, retirou a arma de dentro da caminhonete.
A partir da análise das imagens de segurança, a polícia sustenta que Bernal já caminhou armado até o interior do imóvel. Segundo o relatório, ele entrou pelo portão, avançou em direção à área interna da casa e efetuou o primeiro disparo poucos segundos depois. Para os investigadores, a sequência registrada nas imagens reforça a tese de que o ex-prefeito foi ao encontro da vítima já preparado para atacar.
Desde que se apresentou à polícia, Bernal afirma que agiu em legítima defesa e para proteger o imóvel, onde, segundo ele, reside e mantém escritório de advocacia. Em interrogatório, declarou que atirou para se defender de uma suposta invasão e negou ter efetuado os disparos com intenção de matar. A defesa sustentou que os tiros teriam sido dados por reflexo, em reação a uma situação de ameaça.
A versão, porém, é confrontada pelo depoimento do chaveiro que acompanhava Roberto Carlos Mazzini. Conforme relatado à polícia, a vítima não teve tempo de reação. A testemunha afirmou que, ao ouvir a abordagem agressiva do autor, viu Bernal já apontando a arma em direção à vítima e efetuando o disparo. Segundo esse relato, após Roberto cair ao chão, o ex-prefeito continuou se aproximando com a arma em punho.
Ainda de acordo com o depoimento, o chaveiro levantou as mãos, se identificou e disse que estava apenas realizando seu trabalho. Ele também afirmou que Bernal se aproximou da vítima caída, abaixou-se e permaneceu com o revólver apontado para a região da barriga de Roberto, momento em que a testemunha conseguiu fugir.
A investigação ressalta, no entanto, que parte da ação ocorreu em um ponto fora do alcance direto das câmeras de monitoramento, o que impede, por enquanto, a visualização completa da dinâmica dos disparos. Por isso, a polícia aguarda laudos periciais que poderão esclarecer com maior precisão se houve aproximação, disparo a curta distância e elementos que confirmem a tese de execução.
Segundo o delegado Danilo Mansur, responsável pelo relatório, a conclusão definitiva sobre a dinâmica do crime dependerá especialmente da perícia quadro a quadro das imagens, do exame necroscópico e da análise feita na camisa da vítima, que pode indicar a distância em que ao menos um dos tiros foi disparado. Assim que esses resultados forem concluídos, a polícia informou que enviará relatório complementar ao juízo.
Com o envio do inquérito dentro do prazo legal, a investigação entra agora em nova fase, com a análise judicial e do Ministério Público sobre a responsabilização criminal do ex-prefeito.
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