Política / Eleições
Simone Tebet reage a ataque de Ricardo Nunes, chama fala de machista e oficializa filiação ao PSB em São Paulo
Ministra do Planejamento rebate declaração do prefeito paulistano, confirma pré-candidatura ao Senado e reforça alinhamento com Lula, Alckmin e a frente ampla para 2026
28/03/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, reagiu com dureza às declarações do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que a classificou como “marionete de Lula” após sua saída do partido e a decisão de disputar uma vaga ao Senado pelo PSB no Estado paulista. Durante o ato de filiação realizado nesta sexta-feira (27), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), a ministra afirmou que a fala foi agressiva, deselegante e ofensiva não apenas a ela, mas às mulheres brasileiras.
Ao responder ao prefeito, Simone Tebet declarou que não aceita ser tratada como alguém sem autonomia política e disse que não há homem capaz de conduzi-la como uma marionete. Na avaliação da ministra, a declaração de Ricardo Nunes extrapolou o embate político e teve conteúdo machista, ao sugerir que uma mulher estaria sendo manipulada por lideranças masculinas. Ela ainda questionou se a mesma frase teria sido dita caso ela fosse homem.
O episódio ocorreu após a saída de Tebet do MDB, partido no qual construiu sua trajetória desde 1997, para ingressar no PSB e disputar uma das vagas ao Senado por São Paulo nas eleições de outubro. A mudança de legenda foi oficializada em evento político com presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, do ministro Márcio França, da deputada Tabata Amaral, além de dirigentes partidários, vereadores, prefeitos e pré-candidatos.
A fala que motivou a resposta de Tebet foi feita por Ricardo Nunes no dia 21 de março, quando o prefeito criticou a mudança de domicílio político da ministra de Mato Grosso do Sul para São Paulo. Na ocasião, ele afirmou que jamais imaginaria que uma liderança da envergadura dela aceitaria ser “marionete de Lula” em território paulista, alegando que toda a vida política da ministra estaria vinculada ao Estado sul-mato-grossense.
Em resposta, Simone Tebet reafirmou sua ligação com São Paulo, lembrando que estudou na capital, tem vínculos familiares e empresariais no Estado e que foi ali onde teve importante projeção política nacional. Segundo ela, a candidatura ao Senado não é uma ruptura artificial, mas parte de uma missão política que considera relevante para o país.
Durante o ato de filiação, a ministra também reforçou sua inserção no campo político que dará sustentação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Ela confirmou apoio à manutenção de Geraldo Alckmin como vice na chapa presidencial e defendeu a preservação da unidade da frente ampla. Segundo Tebet, o grupo deve priorizar a composição mais forte possível, sem disputas internas que comprometam o projeto eleitoral.
Ao tratar da presença feminina na política, a ministra afirmou que nada é fácil para as mulheres nos espaços de poder e voltou a defender maior participação feminina nas chapas majoritárias, embora tenha reconhecido que a composição eleitoral depende das condições políticas concretas. Ainda assim, ela deixou claro que considera fundamental ampliar o protagonismo das mulheres nas decisões partidárias e institucionais.
Simone Tebet também aproveitou o evento para criticar o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Senado na chapa apoiada por Ricardo Nunes e pelo governador Tarcísio de Freitas. Ao comentar a atuação política da família Bolsonaro, a ministra afirmou que enxerga forte personalismo no grupo e disse que poucas famílias, na sua visão, concentram tanto poder em torno da figura paterna.
No discurso, a ministra indicou que pretende fazer uma campanha de perfil simples, com pouco uso de recursos financeiros e maior contato direto com o eleitor. Segundo ela, sua forma de fazer política passa por conversar olho no olho, com discurso centrado naquilo que considera verdadeiro, além de manter distância de excessos do financiamento eleitoral que, em sua avaliação, afastam os jovens da política.
A filiação de Simone Tebet foi celebrada pelo PSB como um movimento de peso estratégico. O partido destacou a experiência institucional da ministra, sua capacidade de diálogo, compromisso democrático e trajetória pública como prefeita, vice-governadora, senadora, candidata à Presidência e ministra de Estado. A chegada da ex-emedebista também reforça o papel do PSB na construção da chapa governista em São Paulo, onde a disputa ao Senado tende a se transformar em um dos principais confrontos políticos de 2026.
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