Campo Grande (MS), Quarta-feira, 25 de Março de 2026

Política / Eleições 2026

Miglioli pode deixar Secretaria de Obras para manter caminho aberto na disputa eleitoral de 2026

Secretário da Sisep avalia saída do cargo dentro do prazo de desincompatibilização e segue no radar do PP para composições ao Senado em Mato Grosso do Sul

25/03/2026

13:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos de Campo Grande, Marcelo Miglioli (PP), pode deixar o comando da Sisep até o fim de março, em movimento ligado ao calendário eleitoral e à necessidade de desincompatibilização para quem pretende disputar as eleições de outubro de 2026. Miglioli ocupa a pasta desde novembro de 2023 e foi reconduzido à função no início de 2025, período em que passou a ser citado novamente como um dos nomes do PP no tabuleiro majoritário de Mato Grosso do Sul.

Nos bastidores, a eventual saída do cargo é vista como uma forma de manter o secretário politicamente disponível para diferentes composições. Embora a senadora Tereza Cristina (PP) tenha afirmado recentemente que o partido não fechou posição sobre candidatura própria ao Senado, ela não eliminou a possibilidade de a legenda entrar na disputa por uma das duas vagas, o que mantém Miglioli no campo de observação da sigla. Nesse cenário, a desincompatibilização preservaria seu nome tanto para uma candidatura titular quanto para eventual composição como suplente.

Dentro do PP, Miglioli aparece em um ambiente de disputa interna por espaço. O presidente da Assembleia Legislativa, Gerson Claro (PP), já teve o nome fortalecido no partido para o Senado, com apoio político de parte relevante da base progressista no Estado. Ao mesmo tempo, o grupo ainda avalia cenários e alianças, o que impede, por enquanto, uma definição fechada sobre quem representará a legenda na chapa majoritária de 2026.

A permanência de Miglioli na conversa eleitoral também se apoia em seu histórico recente. Ex-secretário de Obras do Estado, ele já disputou cargos majoritários, foi candidato a prefeito de Campo Grande e também já esteve no radar para o Senado. Mais recentemente, tornou-se peça importante no núcleo político ligado à prefeita Adriane Lopes (PP), participando da articulação administrativa da Capital e sendo apontado como aliado próximo da senadora Tereza Cristina.

No plano administrativo, Miglioli vinha conduzindo uma agenda de obras e pavimentação na Capital. Em janeiro de 2026, por exemplo, declarou que a prefeitura planejava asfaltar entre 35 e 40 bairros, com uso de recursos próprios, estaduais, federais e financiamentos, e que a prioridade seria dada a regiões com gargalos estruturais e bairros maiores. Essa atuação reforçou sua visibilidade pública, o que naturalmente alimenta especulações sobre aproveitamento eleitoral do cargo.

Até o momento, não houve confirmação pública definitiva sobre a saída. Mas, diante do prazo legal e do fato de o PP ainda manter aberta a discussão sobre seu posicionamento na corrida ao Senado, a tendência é que a definição sobre o futuro de Marcelo Miglioli ocorra nos próximos dias, dentro de uma equação que mistura estratégia partidária, calendário eleitoral e peso político na coligação governista.


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