Polícia / Justiça
Justiça mantém Bernal preso preventivamente após audiência de custódia por morte de fiscal tributário em Campo Grande
Ex-prefeito seguirá detido enquanto investigação avança; defesa insiste em legítima defesa, mas depoimentos e circunstâncias do caso reforçam gravidade do crime
25/03/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Justiça de Mato Grosso do Sul decretou, na manhã desta quarta-feira (25), a prisão preventiva do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, de 60 anos, após audiência de custódia realizada no Fórum da Capital. A decisão mantém o ex-chefe do Executivo municipal preso pela morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, baleado na tarde de terça-feira (24) em um imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados.
Ao final da audiência, que durou cerca de duas horas, Bernal foi retirado sob escolta da Polícia Militar e levado diretamente ao presídio. Conforme a legislação, a manutenção da prisão cautelar deverá ser reavaliada pela Justiça no prazo de até 90 dias, podendo ser mantida, revogada ou substituída por outras medidas cautelares, a depender do andamento da investigação e da análise judicial.
O caso teve origem em uma disputa envolvendo a posse de um imóvel que, segundo familiares da vítima, havia sido arrematado em leilão da Caixa Econômica Federal. De acordo com essa versão, a residência estava desocupada no momento da aquisição e seria destinada à moradia de Roberto Mazzini. Já Bernal sustenta que ainda vivia no endereço, onde também mantinha um escritório, e afirma não ter sido devidamente comunicado sobre o leilão nem sobre a arrematação do bem.
Em depoimento prestado ainda na terça-feira, o ex-prefeito confessou os disparos, mas alegou ter agido em legítima defesa. Segundo sua versão, o sistema de monitoramento da residência o alertou para uma nova invasão. Ele afirmou que o imóvel já havia sido arrombado em outras oportunidades e que, ao chegar ao local, encontrou o portão danificado, um veículo na garagem e três pessoas dentro da casa. Ainda de acordo com o relato, um dos homens teria avançado em sua direção, e ele reagiu em questão de segundos.
Na mesma declaração, Bernal afirmou que não tinha intenção de matar. Disse ter efetuado os tiros porque se sentiu acuado e alegou que sua intenção seria atingir a perna da vítima. O ex-prefeito também declarou que, após os disparos, foi até a delegacia para relatar o ocorrido, sem saber naquele momento que Roberto Mazzini havia morrido. Quanto à arma usada no crime, sustentou que possuía porte e registro, e que o armamento havia sido adquirido em 2013.
A versão do ex-prefeito, no entanto, contrasta com o depoimento do chaveiro que acompanhava a vítima no momento da ocorrência. Conforme o registro policial reproduzido no material, a testemunha afirmou que Bernal chegou ao imóvel já armado, apontou a arma em direção a Roberto e iniciou a abordagem de forma agressiva, sem dar espaço para explicações. Segundo esse relato, a vítima não teve tempo de reagir nem de esclarecer o motivo de sua presença no local antes de ser atingida pelos disparos.
O chaveiro também relatou que, após atirar contra o fiscal tributário, Bernal voltou a apontar a arma em sua direção. Ao se identificar como apenas o profissional chamado para abrir a porta, a testemunha disse ter sido obrigada a se deitar de bruços no chão, sob ameaça. Em seguida, percebeu que o ex-prefeito voltou a mirar em Roberto Mazzini, mencionando a possibilidade de novos disparos. Temendo pela própria vida, o chaveiro conseguiu deixar o imóvel e, já em local seguro, pediu ao filho que acionasse a polícia.
A audiência de custódia também teve momentos de tensão, segundo as informações apuradas no texto enviado. Durante a sessão, Bernal teria apresentado comportamento considerado inadequado, alternando sinais de nervosismo com reações vistas como debochadas diante das falas do magistrado. Ainda conforme o relato, o ex-prefeito tentou fazer sua própria defesa durante a audiência, entrando no mérito da prisão, e acabou rebatido pelo juiz, que fundamentou a necessidade da medida cautelar.
A defesa segue insistindo na tese de que o ex-prefeito reagiu a uma situação de invasão. No entanto, a decretação da prisão preventiva indica que, neste momento inicial da apuração, o Judiciário entendeu haver elementos suficientes para manter Bernal preso, diante da gravidade do fato, das circunstâncias do crime e da necessidade de preservação da investigação.
Com a decisão, o caso entra agora em uma nova fase. A Polícia Civil continuará reunindo provas, analisando depoimentos e aprofundando a dinâmica do homicídio para definir com maior precisão as circunstâncias da morte de Roberto Carlos Mazzini. A linha de defesa do ex-prefeito e o conjunto de elementos produzidos pela investigação serão decisivos para o andamento do processo criminal.
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