Economia / Inovação
Pantabio avança em pesquisa para levar bioinsumo pantaneiro ao setor florestal de MS
Startup firma acordo de PD&I com apoio da Embrapii, Sebrae, UFV e Governo do Estado para adaptar tecnologia a mudas de eucalipto
13/02/2026
12:15
SEBRAE
DA REDAÇÃO
Assinatura de acordo viabiliza recursos para Pantabio adaptar a utilização do bioinsumo ao setor florestal
Uma inovação desenvolvida a partir de micro-organismos do solo do Pantanal dá um novo passo rumo à indústria florestal, um dos segmentos mais estratégicos da economia de Mato Grosso do Sul. A startup sul-mato-grossense Pantabio assinou, nesta quinta-feira (12), um Acordo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) para adaptar seu bioinsumo à implantação de mudas de eucalipto.
O ato ocorreu na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), em Campo Grande, e reúne recursos da Unidade Embrapii Fibras Florestais, do Sebrae/MS e da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
O CEO da Pantabio, Tiago Calves, destacou que o novo aporte financeiro eleva o nível de maturidade tecnológica da empresa.
“Esse investimento nos permite avançar nos testes e validações, ampliando a robustez científica da pesquisa. Passamos a contar com a expertise de instituições consolidadas, o que fortalece a validação e abre portas no setor florestal”, afirmou.
A startup atua como deep tech, desenvolvendo soluções de base científica voltadas ao aumento da produtividade agrícola por meio do controle biológico.
O secretário-executivo de Ciência, Tecnologia e Inovação da Semadesc, Ricardo Senna, ressaltou que a iniciativa representa integração estratégica entre poder público, universidades e setor privado.
“A ciência e a tecnologia agregam valor à produção. Estamos fortalecendo essa aproximação para transformar conhecimento acadêmico em soluções concretas, especialmente na bioeconomia”, afirmou.
O diretor-presidente da Fundect, Cristiano Carvalho, também destacou a importância da articulação institucional. Segundo ele, o projeto demonstra como investimentos estaduais podem evoluir para parcerias estratégicas de alcance nacional.
Já a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, enfatizou que o acordo consolida a maturidade do ecossistema de inovação sul-mato-grossense e fortalece o chamado Vale da Celulose, região que concentra grandes investimentos em silvicultura no Estado.
A Pantabio desenvolve bioinsumos a partir do Trichoderma, fungo presente no solo pantaneiro que atua como promotor natural de crescimento vegetal e agente de proteção contra parasitas.
Atualmente, a tecnologia já é aplicada em culturas como:
Soja
Milho
Milheto
Uva
Pastagens
Com o novo acordo, a pesquisa passa a focar na adaptação do bioinsumo para a silvicultura, especialmente no cultivo de eucalipto.
“O fungo já possui essa função natural. Ajustamos a dosagem conforme cada cultura, como uma receita específica. O setor florestal sempre foi um nicho estratégico para nós”, explicou Tiago Calves.
A adaptação da tecnologia pode beneficiar empresas instaladas na Costa Leste do Estado, como Arauco e MS Florestal, ampliando competitividade e sustentabilidade no setor.
A analista da Embrapii em MS, Jaqueline do Nascimento, destacou que o uso de micro-organismo adaptado às condições ambientais locais aumenta a eficiência da solução.
“O fato de o produto biológico ser originário do próprio Estado amplia as chances de sucesso. A união entre universidade, startup e instituições cria um projeto robusto para o setor florestal”, afirmou.
Desde sua estruturação, a Pantabio recebeu apoio por meio de editais estaduais de fomento e suporte técnico do Sebrae/MS, incluindo:
Estruturação jurídica
Estudos de mercado
Missões técnicas
Programa de aceleração no Living Lab – Laboratório de Inovação e Prototipagem
Segundo o CEO, o maior desafio foi transformar pesquisa científica em produto comercial validado no campo.
Com a nova fase de desenvolvimento, a startup amplia sua inserção no mercado e fortalece a integração entre ciência aplicada e desenvolvimento econômico regional.
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